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Archive for junho \30\UTC 2011

Cantor, violonista, compositor, arranjador e ator, o carioca Jards Anet da Silva viveu desde cedo em meio à música, seja ouvindo, tocando ou estudando. No futebol, porém, era uma negação: ganhou o apelido de Macalé em “homenagem” ao pior jogador do Botafogo da época.

Jards Macalé, primeiro disco do cantor carioca, é um dos trabalhos mais inusitados da música brasileira. Um disco até hoje duro de ser conceituado – e por isso mesmo genial, e tantas vezes esquecido. Feito após Jards ter passado por experiências diversas como músico, o álbum marcava sua transição para a via pop, revolucionando a música brasileira ao mesclar rock, samba, eruditismo, jazz, bossa-nova, tropicalismo, melancolia e sofrimento em doses cavalares. Gravado às pressas, da forma mais minimalista possível (com Jards no violão, Lanny no violão solo e no baixo e Tutty na bateria), o disco traz uma sonoridade crua, anti-comercial, com letras que chegam a soar punks. O LP abria com “Farinha do desprezo”, quase um anti-rock, desconstruído, misturado com samba e jazz.

Farinha do Desprezo

Composição: Jards Macalé / Capinam

Já comi muito da farinha do desprezo,
Não, não me diga mais que é cedo,
Hum, quanto tempo amor, quanto tempo tava pronta,
Que tava pronta da farinha do despejo.

Já comi muito da farinha do desprezo.
Não, não me diga mais que é cedo,,
Hum, quanto tempo amor, quanto tempo tava pronta,
Que tava pronta da farinha do despejo.

Me jogue fora que na água do balde eu vou m’embora.

Só vou comer agora da farinha do desejo,
Alimentar minha fome pra que eu nunca me esqueça,
Ah como é forte o gosto da farinha do desprezo,
Só vou comer agora da farinha do desejo.

Uma vinheta com “Vapor barato” a capella – cantada de forma quase fúnebre, fantasmagórica mesmo – antecede o forrock “Revendo amigos”, que chegou a ir 12 vezes para a censura, encucada com versos como “se me der na veneta eu morro/se me der na veneta eu mato”. Numa época em que Roberto Carlos era rei, Jards só oferecia romantismo em faixas originais como o quase-samba “78 rotações”, na voraz “Meu amor me agarra & geme & treme & chora & mata” e na desolação de “Movimento dos barcos”. O lado mais característico de Macalé, no entanto, era a faceta melancólica e existencial de faixas como o rock “Mal secreto” (“massacro meu medo, mascaro minha dor, já sei sofrer”) e o hino “Let’s play that” (“vai, bicho/desafiar o coro dos contentes”, dizia a letra de Torquato Neto). Num viés tenso, repleto de improvisos roqueiros ao violão, em que não havia oposição entre tristeza e felicidade, alegria e melancolia (“dessa janela sozinha/olhar a cidade me acalma/estrela vulgar a vagar/rio e também posso chorar”, diz a letra de “Hotel das estrelas”, que fechava o disco), Jards Macalé também trazia o rock´n roll suicida e ágil de “Farrapo humano” (de Luiz Melodia) – sintomaticamente seguido pelo samba “A morte”, de Gilberto Gil.

A ousadia custou caro: Jards Macalé acabou tendo pouca tiragem e logo foi tirado de catálogo. O cantor iniciou uma série de shows, mas continuava com problemas de colocação no mercado. Em 1973, liderou na Philips um misto de show-disco coletivo, O banquete dos mendigos, feito por ele e por vários amigos para comemorar o aniversário de 25 anos da Declaração Universal dos Direitos do Homem e, de quebra, ajudar a tirar a conta de Macalé do vermelho: o show foi feito, mas o disco ao vivo acabou sendo completamente censurado e só liberado em 1979 (e já pela RCA).

Pra conhecer um pouco mais, segue vídeo da música Mal Secreto, gravado no Teatro Rival em 30/03/11:

 

 

Faixas:
01. Farinha do Desprezo
02. Revendo Amigos
03. Mal Secreto
04. 78 Rotações
05. Movimento dos Barcos
06. Meu Amor me Agarra & Geme & Treme & Chora & Mata
07. Let’s Play That
08. Farrapo Humano – A Morte
09. Hotel das Estrelas

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Fica a dica para as pessoas que curtem design de produto, achei este site com idéias bem legais, produtos retro com uma visão futurista, tipo uma renovação do velho, gosto muito disso, dar outra visão para aquilo que as pessoas já achavam imutáveis. Muito bom começar o dia com informações tão bacanas assim, certeza que será um dia inspirador. 
Segue o link dos meus 15 minutos matinais de “pai google”… http://www.samaldesign.com/ 

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Sobre a brevidade da vida é obra mais difundida do filósofo Lúcio Anneo Sêneca (4 a.C? – 65 d.C) e um dos textos mais conhecidos de toda a antiguidade latina. São cartas dirigidas a Paulino (cuja identidade é controversa), nas quais o sábio discorre sobre a natureza finita da vida humana. São desenvolvidos temas como aprendizagem, amizade, livros e a morte, e , no correr das páginas, vão sendo apresentadas maneiras de prolongar a vida e livrá-la de mil futilidades que a perturbam sem, no entanto, enriquecê-las. Escritas há quase dois mil anos, estas cartas compõem uma leitura inspiradora para todos os homens, a quem ajudam a avaliar o que é uma vida plenamente vivida.

Sêneca discordava em linhas gerais de que “a vida é breve”, pois acreditava que o homem ‘ocupado’, aquele que só pensa no trabalho, é que ‘abreviava’ a vida. O verdadeiro ‘elixir’ estava na dedicação sábia em cultivar o ócio (coisa que o escritor italiano Domenico de Masi dois mil anos depois transformou no best seller “Ócio Criativo”).
Às vezes (re)avaliamos nossas vidas depois que somos abalados por catástrofes ou tragédias em algum lugar do mundo, seja a queda de um avião ou a destruição de uma cidade por uma enchente ou furacão. Em situações assim nos damos conta de que não somos e nem representamos absolutamente nada no Universo e que se trabalhamos para acumular riqueza e propriedades de nada nos servirá com um destino assim trágico.

” Os maiores bens demonstram inquietude, e as maiores fortunas são as menos confiáveis. Outra felicidade é necessária para conservar a felicidade, e, para os mesmos votos realizados, devem ser feitos novos votos. De fato, tudo aquilo que vem por acaso é instável, e o que mais alto se eleva, mas facilmente cai. Ora, ninguém as coisas decaídas causam deleite. É, portanto, evidente que seja não apenas curta, mas também muito infeliz a vida daqueles que a preparam com grande trabalho e que só podem conservar esforços maiores ainda.”

 

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Esse vai especialmente pro Vito! Sim, este que faz os grafites do nosso blog!

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O show mais quente da cidade amanhã é o da Bixiga 70. Formado em 2010, o grupo tem como maior inspiração a obra do nigeriano Fela Kuti (1938-1997). Mas ainda que o criador do afrobeat seja uma espécie de farol, a Bixiga 70 está longe de ser uma “banda tributo”. “Luz Vermelha” (do pianista Maurício Fleury), “Kalimba” (do guitarrista Cris Scabello), “Mancaleone” (do baixista Marcelo Dworecki) e mais três criações próprias comprovam isso. Mas uma ou outra pedrada de Fela sempre entra no setlist, sendo “Opposite People” a mais recorrente. “Desengano da Vista”, do cultuadíssimo Pedro Santos (também conhecido como Sorongo), é outra que não pode faltar nos bailes da Bixiga. Em tempo: o nome da banda faz referencia a Afrika 70 e, por extensão, a Egypt 80, sensacionais formações que acompanharam o nigeriano em seus melhores momentos. Com Décio 7 (bateria), Marcelo Dworecki (baixo), Rômulo Nardes (percussão), Gustavo Cecci (percussão), Cris Scabello (guitarra), Mauricio Fleury (teclado e guitarra), Cuca Ferreira (saxofone), Daniboy (saxofone), Doug Bone (trombone) e Daniel Gralha (trompete)Choperia. Grátis.

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Este post é para um amigo inseparável, que está comigo todas as noites de criações, as tardes e manhãs também, esses dias navegando pela internet achei num blog vários logos com o tema café, neste momento não me lembro exatamente o blog, mas reunia logos do mundo inteiro, para aqueles que estão sentados em frente da folha branca até as 3 da manhã tomando um cafezinho esperando a idéia chegar, aqui segue algumas inspirações.

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vito!

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Junio Barreto, poeta de tempo próprio

Ainda pivete, graças ao rádio “Transglobo” de seu pai, Junio Barreto começou a notar que a distância entre Caruaru e o resto do mundo era menor do que sugeriam os livros de geografia. Sabedor da ausência de fronteiras da música, guardou os ritmos do agreste no juízo e se mandou, ainda adolescente, pro Recife. Aboios, violeiros, baião, banda de pífanos, frevo, coco, xaxado. Levou tudo junto em seu matulão.

Ouviu muito rock inglês, fez seu próprio rock _liderando a banda Uzzo_, compartilhou da gestação do mangue beat. Os comichões só aumentaram, e Barreto pegou a estrada de novo.

Impregnado de agreste, sertão e litoral, aportou na concrete jungle paulistana suavemente, sem alarde.

Aos poucos São Paulo foi se abestalhando com o namoro de candomblé e drum’n bass celebrado pelo seu novo inquilino. Voz de tenor, alma negra, o sossego em pessoa, Junio Barreto 40 anos, amigo e parceiro de Otto.
Seu primeiro disco solo, com 10 faixas, o independente “Junio Barreto”, viabilizado pela lei de incentivo à cultura do governo de PE, tem o terreiro em sua essência, seja o terreiro de maracatu, de candomblé ou mesmo o pedaço de barro batido que abriga almas e passos em quintais pelo Brasil afora. São sambas conduzidos com melancolia e delicadeza, aboios que se transfiguram a partir de arranjos modernos e sofisticados.

Nove das dez canções são da lavra do autor. A exceção só confirma a regra de que não se trata de um disco comum. Em “A Mesma Rosa Amarela”, letra do poeta Carlos Pena Filho musicada por Capiba e anteriormente gravada por Maysa, o vozeirão de Junio é acompanhado por um esmerado piano acústico de Lincoln Antônio e por moogs, numa combinação de arrepiar.

As demais composições, recheadas de vocábulos recriados, mostram um autor influenciado por Guimarães Rosa e Manoel de Barros e atento ao falares do agreste e do sertão. Revelam um compositor avançado em anos, não poeta extemporâneo: poeta de tempo próprio. Três exemplos:

“Vai tardinha, encosta
Cai de voga anda noite te chamou
Roda, adoça fora
Jorra o doce que o dono da cana mandou”
(Do Caipora ao Mar)

“Ela mandou caiá, lavar todo o terreiro
Quis dengo de mão e samba de maracatu
Deu rosa pra menino, buchada de carneiro, ê
Só porque chegou água na torneira”
(Oiê)

“Se vê que vai cair deita de vez, oh nego
Clareia, clareia
Amansa calundu, junta, sacode, sai, é
Cai logo, nego
Sossega teu coração”
(Se Vê Que Vai Cair Deita de Vez)

A banda de Junio tem a percussionista Simone Soul, o guitarrista Gustavo Ruiz, o flautista Marcelo Monteiro e tecladista Dudu Tsuda.

 

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