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Archive for the ‘Impressões’ Category

Eu Só Quero um Amor…..

“Eu só quero um amor

Que afaste o meu sofrer

Um xodó pra mim

Do meu jeito assim

Que alegre o meu viver….”

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Não, não estou depressiva, um pouco carente talvez, e só….

“Poxa, mas você se “casou” por duas vezes (afinal morar junto é sinônimo de casamento), namorou seriamente outros dois e não tão sério outros poucos, e não deu certo, talvez a culpa seja sua”…. já ouvi isso várias vezes e de diversas pessoas….

Pensei bastante sobre isso e cheguei a uma conclusão, não sei se é a correta, mas foi a que mais me convenceu….

Não, penso que realmente não esteja errada, estaria sim, se mantivesse relacionamentos que não me fizessem feliz, que não me deixassem ser eu mesma, que empacassem minha vida e minha forma de pensar….

Decidi por, todas as vezes, colocar um final, não porque eu não amasse essas pessoas, mas sim porque meu amor por mim era maior do que meu amor por eles…. Que bom!!!…

Hoje não tenho ninguém para chamar de meu, meu amor, meu namorado, meu marido, mas percebo o quanto fui sempre muito minha e por mais que não pareça percebo o quanto me coloco em primeiro lugar…

Sou solidária com quem quer que seja, e as vezes até parece que esqueço de mim mesma, mas o que posso fazer se eu fico com o coração muito mais feliz quando faço o bem aos outros?

Mas com relação ao amor e felicidade que dele pode resultar, esse não entrego aos outros primeiro, este é o meu primeiro pedaço do bolo e só meu….

Sei que seria muito mais feliz se eu tivesse um amor, um companheiro para todas as horas, alguém pra dividir as decisões importantes da vida, pra fazer planos para o futuro, para formar uma família e pensar nos futuros netinhos, pra pensar na ceia de natal (aproveitando que o natal foi ontem…rs) e esperar o restante da família chegar….

As vezes fico desanimada achando que eu tenho alguma falha de programação relacionada ao Amor, fico triste, sinto uma pontinha de inveja ao ver uma família feliz, uma foto de um casal com filhos, todos sorrindo deixam meu coração em frangalhos….

Mas por outro lado, a confiança de que a vida nunca erra alivia esta dor, e me mantem equilibrada….

Se por acaso, mesmo assim, a tristeza chegar, procuro enxergar por outro ponto de vista…

Estou só? Antes só do que mal apaixonada…..

Talvez realmente ainda não tenha chegado a hora, como algumas amigas me dizem tentando me deixar mais esperançosa, e talvez seja isso mesmo, porque não oras????

Talvez ainda seja hora de aprender mais algumas coisas, ou talvez essa hora nem chegue e o meu destino nessa vida seja outro e não apenas “crescei e multiplicai-vos”, talvez eu precise endurecer um pouco mais meu coração mole para eu ser uma pessoa especial para alguém, talvez eu precise ser mais inteligente, mais rica, mais séria, mais madura,….

Talvez tenha uma pessoa me esperando, mas quem não está preparada ainda pra ele seja eu, pode ser que a vida esteja me lapidando para eu chegar na hora certa pra alguém que também esteja esperando a hora certa pra me receber….

O amor é importante, pelo menos pra mim, mas não adianta eu forçar uma situação para mostrar uma felicidade incompleta, seja pra mim ou para as pessoas ao meu redor…. Não quero me apaixonar por uma questão de prática, ou porque é mais barato, ou por uma questão de contrato, ou por causa da casa, ou por causa do “é o que está tendo”….

Por isso, vou vivendo o que a vida me oferece, uma vida feliz, mas faltando um pedaço, rodeada por pessoas que me fazem bem, trabalhando com coisas que gosto e buscando a cada dia o que irá me fazer feliz até a hora de dormir, pra quando acordar, retomar minha busca….

Com um amor (imagino um coração bem gorducho e vermelho sangue), eu poderia ser mais forte, mais feliz e mais motivada para viver até os 100 anos….. ou não…..kkkkk….. vai que isso é uma coisa que minha cabeça criou???

Um dia de cada vez….. aproveitando tudo o que a vida me oferece ou me livra…. agradecer é a chave, e fé de que está tudo certo alivia o que chamo equivocadamente de dor….. pois a dor de hoje terá uma resposta amanhã….. se eu não fosse tão ansiosa não precisaria sofrer por antecipação…..

To aprendendo e vivendo….. mas vivendo de verdade…… e aprendendo muito…. todos os dias………

E o amor? Ah, deve estar a caminho……

Tá Em Choque?

GABI!

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Ontem meu irmão André me mandou uma foto da ZN skatepark com a seguinte frase: “Só quem pulou o barril sabe….”

"Só quem pulou o barril sabe....."

“Só quem pulou o barril sabe…..”

Nossa, na hora vieram várias lembranças da ZN, e da época que eu ia pra lá em 1995, com 14 anos.

Era incrível…. várias histórias……..

Eu ia com a Mariana, uma grande amiga da época, mas que hoje nem tenho mais contato….Íamos mais aos domingos e passávamos a tarde toda lá.

Íamos com a Mobylete do irmão dela, enquanto eu ficava conversando e distraindo ele, a Mariana pegava a mobilete e sem fazer barulho me esperava na rua de baixo da casa dela.

Colocavamos a mochila com os skates nas costas e íamos. Ah, sem esquecer, claro, do walkman e das fitas cassete, ouvindo Bad Religion, NOFX, 311, Shelter, 2Pac, Beastie Boys, Pavement, Pennywise, Cypress Hill, Green Day, Rage Against the Machine, House of Pan, Dog eat Dog, Jane’s Addiction, entre outros……..

A mochila ficava cheia de fitas…. ainda levava umas ferramentas básicas, kit de primeiros socorros (minha canela era um roxo só), uma caneca, suco em pó e bolachas….

A Mariana andava melhor do que eu, mas eu acertava uns flip no quarter, ollie, nollie saindo do carven….. Acertava uns hillflip, varial flip, 180…. mas a Mariana acertava tudo isso de noolie e de switchstance….. Eu acertava algumas de switch só.  Gostava de ficar pra lá e pra cá na mini ramp e dar uns rockslide no corrimão……. Nossa tinha várias, agora me lembrei que acertávamos noseslide no palquinho e também lá no final da pista, num palquinho que descia…..

Ás vezes a gente juntava uma galera e alugava a pista de sexta a noite. Aí o Seo Afonso deixava a pista lá pra gente das 19h as 22h. Era legal também, porque a pista ficava mais vazia, só pra gente.

A época do Skate na minha vida foi muito legal, eu andava todos os dias, estudava de manhã ou a noite e tinha a tarde toda para o carrinho. Eu gostava mesmo de andar na praça Charles Miller, conhecia o pessoal de lá, e ainda íamos jogar videogame grátis na blockbuster que tinha ali perto. Quando chovia o lugar certo para andar era na estação Conceição do Metrô ou na marquise do Ibirapuera. Quando queria encontrar uma galera legal e fazer uma social, o lugar certo era Vale do Anhangabaú e aí pra completar, passávamos na Maze que ficava na Galeria do Rock e arrematava com um mate com leite no Rei do Mate. Quando tínhamos disposição, o lugar escolhido era a pista de São Caetano (nossa, eu achava muito longe….).  Na Prestige eu só ía pra assistir campeonatos, não gostava daquela pista. Tinha também a rollerbrothers perto da ponte do limão e a rockrollers perto do center norte. As pistas eram legais, mas tinha muita rixa entre os rollers e os skaters e aí sempre tinha briga…

Nossa, nessa época eu era nova, mas conhecia tanta gente, eu poderia sair sozinha que sempre encontrava alguém ou conhecia no dia….Não me preocupava com muita coisa, só queria andar de skate e acertar umas manobras, e nunca pensei em correr campeonado…. Gostava mesmo de andar pra mim…

Aí logo começaram as baladinhas, o top era a Class, depois vieram o 360° na Alameda Estados Unidos… Tinha o 8°DP que também era bem legal, e o Retrô na Santa Cecília…. Depois o Tron abriu um bar na vila Madalena que vendia a tal “xota da Índia”, não me lembro o nome do bar, e também tinha a Torre do Dr. Zero que era na mesma rua. Depois abriu o Borracharia que era simplesmente incrível…. Depois comecei a ir no Matrix que também era na Vila Madalena….. E aí se tornou o meu lugar predileto…. Fui muito tempo lá…..

Nessa época também acontecia o Mercado Mundo Mix na  Barra Funda, um dia lá dei até entrevista para a SporTV……….hahaha

Fui convidada para fazer uma matéria para a Revista Capricho….

Além disso também saí na sessão certo e errado da mesma revista e meu look estava certo……..rsrssr

Eu tinha uma outra amiga minha que tinha bastante dinheiro e aí um dia ela me chamou pra ir na casa dela……….então ela me deu um DC, e dois Etnies……. Nossa, imagina como eu fiquei…….

Eu tinha um Airwalk que já estava furado e ganhei logo três tênis gringos…….. fiquei muito feliz!!!!! Tinha até pena de andar de skate com eles…..

Aí ontem, assisti o documentário da ZN feito pelo Rubens Sunab me deu mais saudades ainda, vi várias pessoas daquela época, o Anjinho, o Bam Bam, o Negão da portaria, o Torto, o Tuca, o Kamau, o Reco,  o Ari, o Índio………..

Olha essa foto que eu achei na net:

Olha só o Kamau...

Olha só o Kamau…

Vale a pena assistir…… e chorar….. rsrs

“Que tempo bom, que não volta nunca mais…..”

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E essa fase toda do Skate em minha vida acabou quando eu tinha 17 anos, comecei a fazer cursinho e virei uma nerd pra conseguir entrar na faculdade…. Mas o skate permanece em meu coração e sinto muitas saudades daquela época…… me divertia muito !!!

Tá em Choque?

GABI!

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Foto extraída do livro Paranóia de Roberto Piva – fotógrafo Wesley Duke Lee

Introdução

Ainda hoje é possível ouvir histórias de pessoas mais velhas que tinham como hábito levar como presente generoso ao vizinho um pouco da comida que havia feito, fosse um pedaço de bolo ou alguma porção salgada. E o suporte que fora enviado com a guloseima raramente era devolvido ao dono vazio, sempre voltava com outro quitute como retribuição.

Hoje em dia é muito mais difícil encontrar histórias como essa ou ainda pessoas que ainda tenham este costume. As condições necessárias para que se fabrique comunidade se perdeu, hoje vivemos numa multidão de estranhos, o que impede a chance de comunidade se materializar.

Comunidade

Bauman diz que: “a comunidade é um lugar “cálido”, um lugar confortável e aconchegante. É como um teto sob o qual nos abrigamos da chuva pesada, como uma lareira diante da qual esquentamos as mãos num dia gelado. Lá fora, na rua, toda sorte de perigo está à espreita; temos que estar alertas quando saímos, prestar atenção com quem falamos e a quem nos fala, estar de prontidão a cada minuto. Aqui, na comunidade, podemos relaxar – estamos seguros, não há perigos ocultos em cantos escuros (com certeza, dificilmente um “canto” aqui é “escuro”). Numa comunidade, todos nos entendemos bem, podemos confiar no que ouvimos, estamos seguros a maior parte do tempo e raramente ficamos desconcertados ou somos surpreendidos. Podemos discutir – mas são discussões amigáveis, pois todos estamos tentando tornar o nosso estar juntos ainda melhor e mais agradável do que até aqui e, embora levados pela mesma vontade de melhorar nossa vida em comum, podemos discordar sobre como fazê-lo. Mas nunca desejamos má sorte uns aos outros, e podemos estar certos de que os outros à nossa volta nos querem bem. (BAUMAN, 2003)

No entanto, “hoje em dia as cidades são conjuntos grandes, densos e permanentes de seres humanos heterogêneos em circulação, lugares em que estamos fadados a vaguear numa grande multidão de estranhos diversos, dessa forma tendemos a nos tornar superfícies para os outros – pela simples razão de que essa é a única coisa que uma pessoa pode notar no espaço urbano com grande quantidade de estranhos”. (BAUMAN, 2003)

O sentido de comunidade se perdeu, as pessoas não sabem sequer o nome do vizinho, quanto mais possuem intimidade para lhe fazer uma surpresa. A contemporaneidade modificou a forma como as pessoas se socializam, o tempo ficou curto, há muito que fazer e a busca por tudo o tempo inteiro faz com que cada indivíduo se enclausure dentro de si mesmo e de seu computador de bolso.

Há um mundo inteiro dentro do computador e a sensação de socialização acontece através das redes sociais, não sendo mais tão necessária a presença física para encontros e conversas. Dessa forma as pessoas estão ficando cada vez mais distantes umas das outras, corpos distantes dissimulando assim a comunicação. A comunicação torna-se cada vez mais fragmentada, assim como a vida dos indivíduos, que se dividem entre trabalho, estudo, família, filhos, amigos, facebook, etc, tudo ao mesmo tempo e agora.

Comunicação

Os estranhos que passam pelas ruas por onde andamos, as “superfícies”, são bem visíveis, estão todos, por assim dizer, ao nosso alcance, e assim podemos afastá-los (por medo) ou procurar formas de manter uma socialização pessoalmente. Está tudo muito volátil, não existe mais a certeza de que “nos veremos outra vez” e por sua vez os vínculos estão ficando cada vez mais rasos e unidos por ligações invisíveis.

Maurice R. Stein em 1960 já afirmava: “as comunidade se tornam cada vez mais dispensáveis….As lealdades pessoais diminuem seu âmbito com o enfraquecimento sucessivo dos laços nacionais, regionais, comunitários, de vizinhança, de família e, finalmente, dos laços que nos ligam a uma imagem coerente de nós mesmos.”

Temos necessidade de nos sentirmos parte de uma comunidade, para termos a noção do que somos. Quando não fazemos parte de um todo, nossa identidade dispersa.

Os mais incomodados e não adaptados a esta rede social tendem a buscar soluções biográficas para essas contradições sistêmicas; é preciso procurar a salvação individual desses problemas compartilhados e por muitos despercebidos. Neste caso pode utilizar-se do sistema de dádivas como mecanismo necessário para constituição de vínculos sociais.

Mauss afirma que o primeiro presente seria uma espécie de “convite a parceria”, uma proposta para que ambos, doador e receptor, entrem em uma relação, em princípio infindável. O presente dado como retribuição como um “novo primeiro presente”, o qual, ao invés de “quitar” a primeira oferta (como na lógica mercantil), expressa uma aceitação da relação e exige, por sua vez, uma nova retribuição, lançando doador e receptor em um movimento eterno de dádivas e contra dádivas.

Mauss, em seu “ensaio sobre a dádiva” afirma que as coisas dadas seriam “animadas” portando algo do doador mesmo que afastadas dele. Assim, as almas estabeleceriam vínculos entre si por meio de coisas trocadas: “disso segue que presentear alguma coisa a alguém é presentear algo de si.” Essa “virtude” que Mauss afirma existir, é segundo ele o que força a circulação dos presentes.

Na troca há algo mais do que coisas trocadas, pode haver um processo de formação de grupo, pois permite escapar a tensão provocada pela coexistência entre a “norma da solidão” e o “fato da comunidade”, instaurando um clima de cordialidade em substituição a indiferença. A retribuição neste caso pode gerar pequenos vínculos sociais, entre as quais uma conversa, além da condição de philia, que são saberes e comportamentos compartilhados.

Além disso, o presente pode ser utilizado muitas vezes como início de uma comunicação. O sentido do presente pode ser uma proposta de estabelecimento de um vínculo entre doador e receptor, porém seu significado só se concretiza na reação do receptor, ainda que sob a forma de uma recusa. Essa análise da reação suscitada para a compreensão do sentido do ato de presentear pode ser considerada já uma retribuição.

Como o sistema de dar e receber não segue exatamente as regras de obrigatoriamente haver retribuição, o ato de presentear deveria ter inicio em algo espontâneo e desinteressado. E o intervalo entre a dádiva e a retribuição juntamente com a incerteza da retribuição completam-se para diferenciar a dádiva do escambo.

O Objeto – O Presente – A Dádiva

Os objetos podem “ser inúteis do ponto de vista da sobrevivência se forem “abstratos”, características que seriam uma condição para que esses objetos servissem de suportes materiais de projeções imaginárias, podendo “materializar” relações sociais e sistemas de pensamento. (Godelier apud COELHO, 2006)”. O objeto doado pode ser entendido como uma forma de manipulação de impressões, como um recurso utilizado para criar uma determinada representação de si.

O presente pode no seu sentido estrito, ser realmente um espelho: as imagens que devolve podem apenas se suceder sem se contradizer. É um espelho perfeito já que não emite imagens reais, mas aquelas desejadas.

Sendo um objeto considerado único no sentido de ser criado (e este momento da criação é irreversível) pensando em uma pessoa, um suplemento de aura e alma deve emanar dele. Em tempos pós-modernos este objeto pode ser copiado idêntico ao original, porém o valor de vínculo, descrito por Godbout, que é o que vale um objeto no universo dos símbolos, seria o que predominaria no ato de presentear.

Segundo Baudrillard todo objeto tem duas funções: uma que é a de ser utilizado e a outra é a de ser possuído. O fetiche pela idéia de posse pode nascer da fascinação pelo objeto artesanal e pelo fato de ter passado pela mão de alguém cujo “trabalho” ainda se acha nele inscrito.

Os objetos recebidos guardam a aura da criação e essa força do aqui e agora fica impressa no objeto. Quando um presente é ofertado, a força que há na coisa dada produz imagens que tem função de trazer alguma coisa a memória. Dessa forma, mesmo que o vínculo não prossiga, as lembranças boas ou más permanecerão por algum tempo.

A memória, sem dúvida, tem algo a ver não só com o passado, mas também com a identidade e assim, com a própria persistência no futuro (ROSSI, 2010).

A escolha de um objeto específico como uma forma de tradução de afeto insiste na lógica de fazer-se presente na vida do outro através de um objeto ofertado, nem que seja somente na lembrança.

O objeto não é uma simples escolha de coisas, ele é uma tela do parecer cujo propósito consiste em entreabrir, em deixar entrever, graças ou por causa da sua imperfeição uma possibilidade de além sentido. Sentido que o receptor lhe atribui.

Considerações Finais

Com a degradação do sentido de comunidade, como se introduzem valores transcendentes nos comportamentos cotidianos? E como podem eles ser integrados? Como buscar novas alianças não se valendo do meio virtual?

Ressignificando objetos gastos que nos rodeiam? Ressignificando relações intersubjetivas esgotadas ou prestes a ser? Ressignificando a vida, trocando os signos por gestos?

O presente realiza, assim, sua vocação de ser uma gentileza, um carinho, ou um afeto e o valor pode ser construído pelo afeto implícito no ato de doar e pelo uso feito pelo receptor. O presente já é o afeto envolvido no gesto da doação e este é o seu valor.

O sistema de dádivas pode ser um bom caminho para (re)pensar a natureza da vida social, afinal os objetos dados e recebidos apresentam a capacidade de funcionar como veículo para expressão individual, comunicando emoções e elaborando imagens dos indivíduos envolvidos na troca. Os presentes podem ser um recurso utilizado para falar de si, do que sentem, de como se vêem, de como querem ser vistos, de como iniciar uma relação comunicacional afetiva afastando-se dos mecanicismos das relações.

 

Referências Bibliográficas

BAUDRILLARD, Jean. O sistema dos objetos. – São Paulo: Editora Perspectiva, 1968

BAUMAN, Zygmunt. Comunidade: a busca por segurança no mundo atual. Tradução Plínio Dentzien. – Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2003

BENJAMIM, Walter. A obra de arte na época de sua reprodutibilidade técnica

COELHO, Maria Claudia. O valor das intenções: dádiva, emoção e identidade. – Rio de Janeiro: Editora FGV, 2006.

GREIMAS, Algirdas Julien. Da imperfeição. Tradução Ana Claudia de Oliveira. – São Paulo: Hackers Editores, 2002

MATOS, Olgaria C.F. Benjaminianas. – São Paulo: Editora UNESP, 2010

PIVA, Roberto; LEE, Wesley Duke. Paranóia. – São Paulo: Instituto Moreira Salles e Jacarandá, 2000.

ROSSI, Paolo. O passado, a memória, o esquecimento: seis ensaios da história das idéias. Tradução Nilson Moulin. – São Paulo: Editora UNESP, 2010

 

Tá em Choque?

GABI!

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Caramba, meu aniversário está chegando e já vou completar 31 anos !!!

Nossa, 31….. Meu Deus !!!

Não poderia ser 31 viagens inesquecíveis? Ou 31 amigos-irmãos? Ou 31 filhos? Ou melhor, 31 avós? 31 livros de própria autoria?

Parece menos maior, soa melhor aos ouvidos e  remete a coisas boas, agradáveis, que trazem bem estar……..

Ah, se eu ja tivesse feito 31 viagens inesquecíveis, ou se possuísse 31 amigos que “estariam aqui” antes mesmo de dizer que preciso deles, ou 31 filhos……….nossa, isso eu iria adorar…..imagine !!!

É bom imaginar isso, imagine eu com 31 velhinhas? Numa sala, assistindo novela, numa sala com cheiro de limpeza………….ah, que aprazível….

Ou 31 livros………se fosse assim, esperaria sem inferno astral todos os próximos aniversários………..

Agora quando penso em anos, lá vem a cabeça a média de vida de 90 anos. Ou seja, logo vem a idéia de que só me restam 2/3 de vida.

E pensar que quando tinha 14 anos, eu queria muito ter 17…..e agora já tenho quase o dobro….

Antes, quando pensava em como seria aos 31 anos, imaginava outras coisas. Mas a vida me levou para lugares que não são exatamente o que sempre quis…..

Claro, que algumas coisas que eu sou e possuo são mais do que já havia pensado, mas também tem aquelas coisas que já deveriam estar comigo, mas que ainda nem tenho planos

Isso me dá uma certa angústia……E ás vezes, para me sentir um pouco mais aliviada, penso assim:

* Tenho 31 anos, mas minha vida começou a ser entendida acho que uns 17/18 anos……..então pensando dessa forma, posso aceitar que até agora vivi 13 anos………bom, melhorou…….

* E aí voltando a média de vida de 90 anos – 31 anos = 59 anos que tenho pela frente, dividido por 13 (que são os anos que vivi “consciente”) = 4,5.

* E aí que vem a parte boa de pensar: ” se eu ja vivi bastante nesses 13 anos, tenho tempo para viver isso mais 4,5 vezes”

Mas todo cuidado é pouco, pois logo me lembro do clichê do copo meio cheio ou meio vazio……se eu achar que eu vivi coisas boas até agora, posso pensar: “Eba, tenho mais 4,5 vezes para viver isso e muito mais !!!”, mas se estiver num momento depressão é fácil pensar: “Que saco, ainda tenho 4,5 vezes para ficar aqui, óh céus, óh vida”.

Será que quando eu tiver um filho, vou deixar de contar meus anos e contar os anos dele?

Acho que seria uma boa, afinal com o primeiro filho nasce uma mãe:

Se eu tiver um filho com 32, aos 37 anos poderei dizer assim:

– Tenho 32 anos e 5 do meu filho.

Aos 42 direi:

– tenho 32 anos e 10 do meu filho.

De qualquer forma, com a chegada do aniversário, ao menos pra mim, acontece automaticamente um balanço do ano que se foi e a esperança se renova, ainda bem, porque falta tanto para eu alcançar, e buscar……..

Talvez seja essa a função do aniversário, encerrar um ciclo para iniciar outro…

Novas forças, vontade de alcançar objetivos, sensação de início de metas da segunda-feira……

Então uno uma coisa que posso e uma que não posso mudar: 1- não gosto de ficar parada, 2- não tenho escolha, preciso ir…..

Então:

Vou!!!!….afinal ainda tenho 4,5 vezes de vida do que já vivi!!!!

Tá em Choque?

GABI!

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Há algum tempo atrás, além de meu pai me contar uma história reveladora ele ainda me entregou um saquinho com umas coisinhas coloridas dentro.

Bolsinha passada através de gerações !

Na época eu não sabia ao certo o que fazer com aquilo e confesso que fiquei um tanto assustada com a revelação que ele me fez.

Ele me contou que aquele saquinho havia passado por algumas gerações da nossa família, mas que nenhuma das pessoas que o recebeu soube claramente o que fazer com ele e por insegurança, o máximo que fizeram, foi passar adiante para as próximas gerações.

Eu era pequena, não entendia direito o valor que aquela revelação tinha, e só guardei o tal saquinho até pouco tempo atrás porque eu adorava colecionar coisas pequenas.

A revelação assutadora era que ali dentro daquele saquinho havia palhetas mágicas !!!!!!!!

Elas foram criadas por um mago que vivia em uma floresta longínqua e sem muitos habitantes. O Mago, chamado Péricles, as criou para preservar o que havia descoberto de mais importante em matéria de mágica e felicidade.

Destes poucos habitantes que conviviam com o Mago Péricles, um deles conhecido como Azhy, era muito invejoso e tinha pouca capacidade de raciocinar. Então ao invés de tentar aprender com o Mago, achou mais fácil destruí-lo, pois acreditava-se que matando algum ser vivo, todos as suas qualidades eram transferidas automaticamente.

Mas como o Mago não era bobo nem nada, decidiu transmitir toda a sua sabedoria, conhecimento, qualidades, inteligência, e o mais importante: suas mágicas e suas descobertas a respeito da felicidade em 3500 pedaços de plásticos coloridos que eram utilizados como brinquedo educativo para as crianças da aldeia.

Palhetas Mágicas

Foi uma escolha muito bem pensada, já que Azhy era avesso as crianças, pois a felicidade e alegria que elas imanavam espontaneamente o deixavam bastante agressivo e inconscientemente mais invejoso. E com essa aversão às crianças, ele nunca chegaria perto destes brinquedos especiais.

E assim os dias foram passando até que Azhy conseguiu realizar seu feitio de destruir Péricles. No entanto, como Péricles já esperava por essa maldade, criou uma mágica para que assim que seu coração parasse de bater, Azhy se transformasse em um pássaro imortal. Dessa forma não conseguiria fazer mal a mais ninguém…..

Meu pai disse que até hoje podemos nos deparar com o Azhy, mas nunca saberemos que é ele, pois as informações quanto as características dele foram se perdendo no tempo, a única coisa que ele sabia era que o pássaro ficou da mesma cor dos brinquedinhos mágicos.

Azhy

Depois de algum tempo o que foi verificado pelos mais velhos é que aqueles plastiquinhos coloridos tinham algo de especial, pois a medida em que as crianças iam crescendo não conseguiam se desvencilhar daqueles brinquedos. E quando ficavam algum tempo longe, uma tristeza sem motivo e sem tamanho tomava conta delas.

A fiha de Péricles, Teja, ouvindo isso, recolheu todas as palhetas e as guardou em um lugar bem escondido. As crianças ainda perguntaram pelas palhetas por algum tempo, mas logo esqueceram, afinal estavam em idade de casar e neste caso, somente o amor verdadeiro pode suprir o bem-estar causado pelas palhetas.

Amor Verdadeiro!

E assim como o destino impôs, um dia, ela conheceu um caçador e se mudou da aldeia sem deixar para trás aquelas misteriosas palhetas.

Certa vez, quando retornou a aldeia encontrou sua mãe já muito doente, nesta ocasião ela lhe contou a lenda das palhetas mágicas e pediu para utilizá-las somente em uma ocasião especial. Pediu para manter todas juntas. pois assim a felicidade estaria completa e sempre com ela. E lembrou-a de que somente um verdadeiro amor poderia trazer uma felicidade maior do que a passada pelas palhetas mágicas. Ela também explicou que as palhetas sozinhas  manteriam o efeito de bem-estar, porém em menor intensidade. Para que uma sozinha funcionasse adequadamente seria muito simples, era necessário somente deixá-la próxima do corpo para que a felicidade fosse contagiante. Ela também disse que as pessoas mais tristes são atraídas por ela, mas isso foi pensado pelo Mago Péricles, porque ele sabia que quem está triste não tem vontade de fazer nada. E com essa atração,  a pessoa ao se aproximar das palhetas, a felicidade aconteceria sem ela perceber.

E assim foi o que aconteceu: Teja as manteve sempre unidas e assim passou para o seu filho. Seu filho no entanto, casou-se cedo e no amor encontrou toda a felicidade e guardou para seu filho. Seu filho Thomáz era o meu avô. Ele as manteve sempre juntas até passar para o meu pai que então passou para mim.

Eu ja tinha a idéia de passar adiante essas palhetas, separá-las e multiplicar a felicidade entre as pessoas. E quando surgiu o concurso da Vivo, pensei: É agora a chance de transmitir a felicidade para essas pessoas tristes fruto deste caos urbano.

Eu já não precisava dessas palhetas há algum tempo, afinal já tenho o amor verdadeiro para suprir toda minha necessidade de felicidade.

Levei a idéia adiante e enviei o projeto para VIVO e quando fui selecionada, enorme foi minha alegria. Então, para que ninguém percebesse, foi gravado o nome de uma marca famosa de instrumentos musicais, já que as palhetas que eu possuia eram bem parecidas com as palhetas atuais utilizadas para tocar guitarra.

Finalizei o projeto e me sinto grata de a felicidade estar sendo transmitida !!!

Conheçam o projeto aqui. O meu orelhão é o número 50.

Pegue a sua !!!

É certo que o meu orelhão está ficando cada vez mais feio, desfalcado de palhetas, mas por outro lado, a felicidade está sendo emanada pela cidade de São Paulo.

Mantenham as palhetas próximas ao corpo e sinta a felicidade que foi transmitida às palhetas há muito tempo !!!

Se ainda não pegou a sua, corra até a Av. Paulista, 2073 – em frente ao Conjunto Nacional e retire a sua cota de felicidade……

Tá em Choque?

GABI!

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Terminei hoje um artigo onde faço uma relação entre o filme Trainspotting de Danny Boyle e as idéias de ritualização e sacralização de Luigi Zoja descritas em seu livro Nascer Não Basta.

Eu gostei muito do resultado, e mais do que isso, alargou minhas percepções quanto ao uso de drogas enquanto me fez refletir sobre outras formas de ritualização sacra.

Segue a introdução do artigo e caso queiram fazer a leitura na íntegra, baixe o arquivo aqui.

Mark Rent

Trainspotting é um livro escrito por Irvine Welsh publicado em 1993, que também virou filme em 1996 e foi dirigido por Danny Boyle. O título do livro/filme se refere a uma gíria escocesa que remete a algo sem sentido, algo que é aparentemente uma perda de tempo. É uma metáfora para a alienação psicológica e o descontentamento sentido pelos personagens.

O filme focaliza um dos problemas mais sérios da sociedade escocesa que é o consumo de drogas e retrata o cotidiano de personagens que habitam o lado pobre de Edimburgo. Esses personagens, no entanto parecem querer se livrar do tédio da vida, fugir de uma realidade, escolhendo ou arrastados, em uma busca inconsciente por uma ritualização/ sacralização, porém, uma das grandes diferenças entre o mundo primitivo e o mundo moderno está justamente no desaparecimento de rituais de iniciação.

Segundo Zoja, são as religiões que, através das suas doutrinas (regras), abrem as portas para um universo oculto que está além das palavras, dos sentidos, da realidade sensível. Em todas elas encontram-se rituais de passagem ou de iniciação para orientar o desenvolvimento. São rituais de iniciação, o batismo, a confirmação, o casamento, os rituais da puberdade.

Esses rituais regem e favorecem as transformações psíquicas que acompanham o desenvolvimento humano. Sem eles, essas passagens tornam-se problemáticas, podendo resultar num grande prejuízo para a vida. Pode-se dizer que esses rituais regulam as transformações energéticas individuais e coletivas.

É através deste tema que analisarei o filme, fazendo uma relação entre o ato de consumir drogas com uma forma inconsciente de buscar a transcendência (transformação psíquica através de um ritual).

Aqui é possível assistir o filme completo….

 

Tá em Choque?

GABI!

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Por enquanto só deixo a sinopse do livro, mas pegarei o meu exemplar na quinta-feira (24/05/12) e tão logo eu finalizar a leitura, trago minhas impressões. Mas adianto que minha intuição afirma que este livro é incrível !!!

Sinopse:

Este livro dá seqüencia ao “História da Beleza”.
Aparentemente beleza e feiúra são conceitos com implicações mútuas, e, em geral, entende-se feiúra como oposto da beleza, tanto que bastaria definir a primeira para saber o que seria a outra. No entanto, as várias manifestações do feio através dos séculos são mais ricas e imprevisíveis do que se pensa habitualmente.
E, assim, tanto os textos antológicos quanto as extraordinárias ilustrações deste livro nos fazem percorrer um surpreendente itinerário entre pesadelos, terrores e amores de quase três mil anos, em que movimentos de repúdio seguem lado a lado com tocantes gestos de compaixão e rejeição da deformidade se faz acompanhar de êxtases decadentes com as mais sedutoras violações de qualquer cânone clássico. Entre demônios, loucos, inimigos horrendos e presenças pertubantes, entre abismos medonhos e deformidades que esfloram o sublime, entre freaks e mortos vivos, descobre-se um veia iconográfica vastíssima e muitas vezes insuspeitada.
 
 
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