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Acredito que será incrível !!! Mas infelizmente não poderei ir (aulas)………

Já sabem, se alguém filmar, pode me enviar !!!!

Obrigada

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Segunda-feira (07/11) fui assistir a uma palestra na FAAP. O título da palestra era “JORNALISMO COMO GÊNERO LITERÁRIO: UMA GRANDE HISTÓRIA”.  Com João Gabriel de Lima

A Faap promove estas palestras para divulgar os cursos da pós-graduação. É como se fosse uma aula aberta, pois tanto o tema quanto o palestrante fazem parte da grade curricular do curso.

Pouco tempo atrás assisti uma outra palestra sobre Jornalismo Cultural, os palestrante eram João Gabriel também e a Lucia Santaella. Rendeu até um texto que eu escrevi sobre Maturidade Cultural, Middlebrow e Jornalismo Cultural.

https://taemchoque.wordpress.com/2011/10/19/maturidade-cultural-middlebrow-e-jornalismo-cultural/

Pra quem não sabe, João Gabriel é o diretor da Revista Bravo…….

Palestra

Cheguei um pouco atrasada, e pelo o que eu entendi, ele começou explicando a diferença entre Jornalismo Literário e Crítica Literária…….

Eu perdi esta explicação, mas como o que tem por trás dos textos que eu escrevo é a busca por conhecimento, descobri a diferença…………..

O Jornalismo Literário é um estilo que une o texto jornalístico à literatura, com o objetivo de produzir reportagens mais profundas, amplas e detalhistas, com uma postura ética e humanizada. O Jornalismo Literário é uma mescla de Jornalismo, Literatura e História, praticado com responsabilidade e princípios morais. Ele pode ser expresso através de livros, filmes, programas de TV, artigos de jornais e revistas, meios virtuais, entre outros.

Já a crítica literárias que foi um dos primeiros tipos de crítica, é dedicada a analisar livros, romances, poemas e outras obras de Literatura. É relativa e quase pesoal e, óbvio, mais próprio das vivência de quem a escreve.

Enquanto o jornalismo literário apenas informa, os críticos devem encarar o seu papel de formador de opiniões.

Depois João citou Tom Wolfe e falou também de seus livros.

Tom Wolfe, expoente do novo jornalismo, é considerado um crítico dos bons. Com textos ágeis, ácidos e em linguagem informal, ficou célebre, entre outros, com livros e artigos que criticavam o deslumbramento com os delírios da arte contemporânea. Em um dos trechos, diz: “A arte se tornou inteiramente literária: as pinturas e as outras obras só existem para ilustrar o texto”.

E então passou a nos dizer sobre como surgiu o Jornalismo Literário e para isso nos contou um pouco sobre a Revista Vanity Fair, criada em 1915

Vanity Fair (Feira de Variedades, em inglês) é uma revista americana sobre cultura pop, moda e política.

Esta revista fazia jornalismo escrito por escritores.

Então passou a falar da revista The New Yorker, para mais tarde voltar a nos contar sobre a Vanity Fair.

A The New Yorker estreou em 21 de fevereiro, 1925. Foi fundada por Harold Ross, que desejava criar uma sofisticada revista de humor.

Esta revista é a principal referência de Jornalismo Literário, além de ter feito surgir o New Jornalism:

 New Journalism é um gênero jornalístico surgido na imprensa dos Estados Unidos, na década de 60, que tem como principais expoentes Tom Wolfe, Gay Talese, Norman Mailer e Truman Capote. Classificado como romance de não-ficção, sua principal característica é misturar a narrativa jornalística com a literária. Uma das publicações que popularizaram o novo estilo foi a revista The New Yorker. Em 1956, o escritor americano Truman Capote publicou o perfil do ator Marlon Brando, intitulado “O duque em seus domínios”, que é citado como o primeiro texto do gênero.

Talese define dessa forma o New Journalism: “O novo Jornalismo, embora possa ser lido como ficção, não é ficção. É, ou deveria ser, tão verídico, como a mais exata das reportagens, buscando embora uma verdade mais ampla que a possível através da mera compilação de fatos comprováveis, o uso de citações, a adesão ao rígido estilo mais antigo. O novo jornalismo permite, na verdade exige, uma abordagem mais imaginativa da reportagem e consente que o escritor se intrometa na narrativa se o desejar, conforme acontece com freqüência, ou que assuma o papel de observador imparcial, como fazem outros, eu inclusive.”

Sobre Harold Ross, nos contou que era obcecado por clareza nos textos e por descrições de todo tipo. Ele editou a cada edição da revista desde a primeira (21/02/1925) até à sua morte (06/12/1951).

Para saber mais sobre , há uma biografia dele escrita por James Thurber – trabalhou na revista The New Yorker e teve grande contato com Ross.

The Years With Ross - James Thurber

A revista The New Yorker sempre foi uma revista com alta qualidade literária e mantém o mesmo padrão desde sempre:

* Seção “Talk of the Town”, que oferece interessantes comentários sobre a vida da cidade, cultura popular, e o humor inteligente e perspicaz de suas curtas histórias de humor e suas famosas charges

Texto de ficção

* Ilustração com cartoos

* Reportagens grandes

E então João Gabriel nos contou uma história de um escritor indiano que enviou seus textos para algumas revistas, inclusive para The New Yorker. No entanto, não tinha esperança que Ross ou qualquer funcionário da revista lhe respondesse.

Pois respondeu. Ross encontrou algo no texto e fez a seguinte proposta: “Precisamos fazer algumas modificações no seu texto. Você aceita? Se depois das alterações o seu texto ficar bom, eu publico na revista e te pago. Se não ficar do meu agrado, eu sei quem vai querer publicar e te pagar”. Este escritor, claro que aceitou e Ross começou com as alterações que achava necessário. Depois de muitas idas e vindas do texto, Ross decide publicar na revista. Então, o escritor diz que seria mais verdadeiro se Ross assinasse o texto, afinal depois de tantas alterações o texto não pertencia mais a ele. E Ross lhe respondeu com frase muito interessante: “Eu só te ajudei a deixar o texto mais seu !!!”

Essa história serviu para ilustrar o quanto Ross era cuidadoso com o que iria entrar ou não na revista. Ross era o mecânico dos textos e não o engenheiro, pois ele encontrava com facilidade os problemas do texto

Para Ross, havia 3 pontos chaves para que o texto tivesse qualidade:

1 – Clareza

Os textos literários devem ser extremamente claros. O escritor/ jornalista deve escrever de uma forma que não chame o leitor de burro. Todas as informações devem estar presentes no texto de forma que não pareça que esteja ensinando o leitor

2 – Autoria

Os textos devem estar claros, mas nunca no nível da padronização. Deve-se manter o estilo de quem escreve.

3 – Descrição

Para Ross as descrições devem ser muito boas. Elas são fundamentais.

Uma palavra que Ross não aceitava era a palavra INDESCRITÍVEL.

Primeira grande Reportagem = Marco do Jornalismo Literário

Logo após o fim da Segunda Guerra Mundial, o ensaio de John Hersey sobre Hiroshima utilizou uma edição inteira.

A pauta era: “Bomba caiu em pessoas como os americanos”.

Era necessário fazer uma matéria afinal, a guerra havia acabado após os bombardeamento de Hiroshima e Nagazaki. Era necessário dar essa notícia na revista.

Então Hersey foi até o Japão para fazer a matéria. A idéia era descrever a vida dos moradores durante e após o bombardeio.

A reportagem possuia um caráter de romance, pois descrevia a vida dos “personagens”.  Hersey se utilizou de técnicas de ficção para escrever a reportagem

Hersey escrevia e Ross editava, e assim foi durante cerca de um ano.

Para Ross, não importava dar a notícia em cima do fato acontecido e sim dar a notícia de um modo criativo, contemporâneo.

Quando bateram o martelo e concluíram a reportagem, surgiu um problema: a reportagem estava muuuuito grande. O que fazer?

Havia duas opções: dividir a reportagem em 4 revistas seguidas; ou lançar a reportagem toda de uma só vez, fazendo assim, uma edição especial da revista.

Ross ficou com a primeira opção, porém Willian Shaw (2° editor da revista) convenceu Ross de que seria melhor lançar uma edição especial.

E assim foi feito !!!

Resultado: Um trabalho notável, uma história para o The New Yorker sobre os efeitos da bomba atômica derrubados em Hiroshima no dia 6 de agosto de 1945. O artigo contou a história de seis vítimas do bombardeio que transformou-se depois em um livro. Foi lançado aqui no Brasil pela Companhia das Letras.

Sinopse:

A bomba atômica matou 100 mil pessoas na cidade japonesa de Hiroshima, em agosto de 1945. Naquele dia, depois de um clarão silencioso, uma torre de poeira e fragmentos de fissão se ergueu no céu de Hiroshima, deixando cair gotas imensas – do tamanho de bolas de gude – da pavorosa mistura.
Um ano depois, a reportagem de John Hersey reconstituía o dia da explosão a partir do depoimento de seis sobreviventes. O texto tomava a edição inteira da revista The New Yorker, uma das mais importantes publicações semanais dos Estados Unidos. O trabalho do repórter alcançou uma repercussão extraordinária.
Sua investigação aliava o rigor da informação jornalística à qualidade de um texto literário. Nascia ali um gênero de jornalismo que estabelecia novos parâmetros para a maneira de relatar os fatos. A narrativa de Hersey dava rosto à catástrofe da bomba: o horror tinha nome, idade e sexo. Ao optar por um texto simples, sem enfatizar emoções, o autor deixou fluir o relato oral de quem realmente viveu a história.
Quarenta anos mais tarde, Hersey voltou a Hiroshima e escreveu o último capítulo da história dos hibakushas – as pessoas atingidas pelos efeitos da bomba. Hiroshima permitiu que o mundo avaliasse o inacreditável poder destrutivo das armas nucleares e a terrível implicação do seu uso.

Lillian Ross e William Shawn

Para falar sobre a segunda grande obra do Jornalismo Literário, João Gabriel nos contou sobre Lillian Ross e como consequencia seu caso de amor com William Shawn.

Lillian Ross era jonalista e começou a escrever para a revista The New Yorker em1945. Durante muito tempo, contribuiu para a famosa seção “Talk of the Town”. Em sua escrita, ela faz o narrador tão invisível quanto ela pode.

Ela e William Shawn (editor da The New Yorker de 1952 a 1987, depois que Ross faleceu em 1951) se apaixonaram, porém ele era casado. Então ela se mudou para Hollywood para ficassem distantes.

Lillian Ross conta essa e outras histórias em seu livro de memórias “Here But Not Here: My Life with William Shawn and The New Yorker”

Neste livro de memórias fascinante, Lillian Ross conta a notável história de vida apaixonada compartilhada por 40 anos com William Shawn, editor da revista The New Yorker. Shawn era casado, mas Ross e Shawn criaram uma casa juntos, adotaram uma criança, e viveram com discrição. Suas vidas foram entrelaçadas a partir da década de 1950 até a morte de Shawn em 1992. Ross descreve como eles se conheceram e a conexão intensa entre eles, como Shawn trabalhou com os melhores escritores do período; como, para escapar de sua ligação, Ross se mudou para Hollywood, para depois voltar para Nova York e viverem o relacionamento.

Ved Mehta também escreveu um livro sobre a revista “The New Yorker” durante o mandato do editor-chefe William Shawn: Remembering Mr. Shawn’s New Yorker – The Invisible Art of Editing”

Ved Mehta Parkash, escritor,  nasceu em Lahore, Índia Britânica em uma família hindu. Ele perdeu a visão aos quatro anos de idade, como resultado de um ataque de meningite cerebrospinal. Escreveu mais de 24 livros, incluindo vários que lidam com o tema da cegueira, bem como centenas de artigos e contos, para publicações britânicas, indianas e americanas, como “The New Yorker”, onde foi um escritor de 1961 à 1994.

O livro de Mehta revisita a carreira de William Shawn, que editou “The New Yorker” de 1951-1987. Shawn mudou a enfase da revista da sátira, de seu predecessor Harold Ross, para as reportagens sérias e profundas, sem perder a elegância e integridade que fizeram a fama da revista. Nesta crônica, Mehta constrói uma poderosa ode à “invisível arte” do seu antigo chefe.

Segunda grande obra do Jornalismo Literário: “Picture” de Lillian Ross

Então nessa viagem forçada para Hollywood, ao saber que o diretor John Huston preparava a adaptação para o cinema do romance clássico da literatura norte-americana O emblema rubro da coragem, de Stephen Crane, Lillian Ross, decidiu acompanhar todas as fases da realização do filme. Ross na tentativa de descobrir como realmente funcionava a indústria cinematográfica, seguiu, durante quase dois anos, os passos da equipe de A glória de um covarde (título brasileiro da obra de Huston), desde a confecção do roteiro até o lançamento em Nova York. O resultado deste trabalho está em Picture, título original do livro, que resume em uma única palavra múltiplos significados (quadro, retrato, imagem, descrição, filme). Este filme pode-se dizer que saiu tudo diferente do combinado, para não dizer que deu tudo errado. E por isso mesmo o livro de Lillian ficou recheado de drama sem jamais emitir uma opinião, assim deixa que os fatos e as falas sejam eloqüentes por si mesmos.

Uma característica do jornalismo literário é a de mergulhar na matéria com o objetivo de extrair conhecimento. É uma investigação que permite extrair conhecimento para quem realiza e para quem as lê.

Foi lançado aqui no Brasil pela Companhia das Letras

Leia um trecho

Outros livros interessantes sobre jornalismo literário:

“A Sangue Frio” de Truman Capote

“A Sangue Frio” (In Cold Blood, no original) é um livro escrito por Truman Capote, publicado em 1966. Relata o brutal assassinato de uma família na cidade de Holcomb, localizada no no interior do estado do Kansas, nos Estados Unidos da América, da idéia inicial do crime até a execução dos assassinos. É um “romance não-ficcional”, considerado por alguns a primeira obra do New Journalism.

Truman Capote chegou a Holcomb um mês após o crime. Ele entrevistou familiares das vítimas e dos assassinos, recolheu documentos oficiais, leu cartas e diários, observou, assistiu ao enforcamento dos criminosos. 

No filme “Capote” (2005), com Philip Seymour Hoffman (Vencedor do Oscar de melhor ator pela interpretação de Truman Capote), o foca principal é o período em que Truman Capote fez reportagens para o livro “A Sangue Frio”. Nesse período, o escritor desenvolveu uma estreita relação com Perry Smith (Clifton Collins Jr.), um dos assassinos.

A Companhia das Letras lançou o livro:

Segundo João Gabriel: 

  • Um livro com linguagem extremamente clara
  • Objetivo: busca de conhecimento
  • Entender o que leva alguém a fazer isso (idéia e execução do assassinato)
  • Observações/mergulho na realidade

 

“Vida de Escritor” de Gay Talese

 
Gay Talese foi repórter do New York Times e escreveu para grandes revistas americanas, como Times, The New Yorker e Harper´s Magazine. Na Esquire, foi autor da melhor matéria já publicada pela revista: Frank Sinatra Has a Cold, considerada por Tom Wolfe como a criação do New Journalism,  caracterizado por um trabalho de apuração de fatos rigorosa aliado a uma forma de narrativa anteriormente reservada a ficção. Escreveu perfis que entraram para a história do jornalismo, além do perfil de Frank Sinatra, escreveu sobre o jogador de baseball Joe DiMaggio e os boxeadores Floyd Patterson e Joe Louis.
 
Em 2009 Talese foi o convidado de honra da Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP)  e esteve no programa Roda Viva da Rede Cultura.
Vale a pena assistir os melhores momentos da entrevista no Roda Viva aqui
 
 
O livro nada mais é do que a narração – franca, bem-humorada – de seus fracassos como escritor e jornalista. Pautas e idéias que nunca puderam ser desenvolvidas e publicadas, por vários motivos, encontraram lugar nessa autobiografia.
 
Gay Talese era fascinado por perdedores e fracassos. Há um pefil que escreveu para a revista Esquire onde Talese faz um retrato de Floyd Patterson depois de sua segunda derrota esmagadora para Sonny Liston.A luta:

Em uma época em que os negros ainda eram excluídos da sociedade americana,a disputa de título entre Liston e Patterson envolveu até o presidente da época John Kennedy. Ex-presidiário, Liston era apontado como o maior talento bruto da história do boxe, mas por conta de seu passado era visto pela sociedade preconceituosa como o “negro ruim”, “incontrolável”. Campeão, Floyd tinha a imagem no “negro bom”, católico e “inofensivo” para a sociedade branca. Depois de muita resistência, Patterson aceitou colocar o cinturão com a ajuda de um pedido de Kennedy. Vetada em Nova York por conta do passado de Liston, a luta foi parar em Chicago e não passou do primeiro round. Derrotado, Patterson pediu a revanche e um ano mais tarde também foi demolido em um round.

Aqui pode-se assistir as lutas
 
No livro: “The Silent Season of a Hero”, estão reunidos os textos de Talese acerca de assuntos esportivos.
 
 
 

Vanity Fair

Pra finalizar a palestra, João Gabriel falou da importância da revista Vanity Fair, dos seus textos densos, maravilhosos e elaborados, das fotos bem feitas.
E citou o perfil de Margaret Thatcher
 

Na internet:

Texto bem interessante sobre edições de textos, onde os editores mexem e, muitas vezes, salvam os textos dos autores.

 “Ler esses autores farão você se destacar e se diferenciar de tantos que já escrevem” (João Gabriel de Lima)

Pós Graduação Faap – Jornalismo como Genêro Literário

Campus São Paulo – Sede

Rua Alagoas, 903

11-3662-7449

pos.atendimento@faap.br

Data de início: Mar/ Abr 2012

Data de término: Dez/ Jan 2014

Manual do Candidato

 

 

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Sábado, dia 05/11/11,  fui assistir uma palestra como título Arte, Vivência e Significado com o artista plástico Stephan Doitschinoff. Eu já havia visto algumas ilustrações dele e sabia pouca coisa de seu trabalho. A palestra foi muito interessante, para saber o que há por trás da obra do artista. Eu gostei e segue abaixo algumas impressões e conclusões.

O artista

Conhecido como Calma, do latim com alma….

É um artista plástico brasileiro do estado de São Paulo cujas obras são influenciadas por elementos religiosos e aspectos urbanos.

Em 2006, ilustrou o álbum do Sepultura, Dante XXI, e ficou com o segundo lugar no Prêmio Jabuti de Literatura pela ilustração do livro Palavra Cigana, uma trabalho marcado pelas “colagens que reproduzem o caráter caleidoscópico da cultura cigana”.

Em 2009, foi eleito artista revelação pela APCA.

Em 2010, teve o projeto “A Mão” selecionado pelo edital do Prêmio Interações Estéticas em Pontos de Cultura, do Ministério da Cultura. O prêmio contemplou a feitura de uma escultura em cerâmica de 1,80m de altura, instalada na frente do Museu Afro Brasil, no Parque Ibirapuera.

A palestra

Stephan falou sobre o seu processo criativo, pesquisa e simbologia de suas obras e iniciou a palestra apresentando o curta “Temporal” (2008), que segue abaxo:

Então contou um pouco como foi sua infância:

Nasceu em um meio bem religioso, onde seu pai era Pastor e sua mãe prestava serviços para igreja, sua avó era espírita e na rua onde morava, havia um terreiro de umbanda e um templo hare krishna. Essa miscelânia religiosa resultou em um trabalho repleto de elementos religiosos.

Já crescido, Stephan passou pelo punk, pelo anarquismo, se interessou por assuntos relacionados a auto-gestão e a comunidades que funcionavam sem governo, dentre outros assuntos co-relacionados.

Passou também a estudar o zen budismo e o taoísmo e, devido ao profundo interesse pela influência da religiosidade sobre a mente humana, aprofundou seus estudos em leituras de psicologia junguiana e mitologia, ampliando assim sua pesquisa estética e filosófica.

Foi vegano e  macrobiótico

Achou necessário saber mas sobre festas populares e folclore. Então depois de muito pensar decidiu buscar essas respostas no interior da Bahia, mais especificamente em Lençóis, na Chapada Diamantina. Foi pra lá com o intuito de além de pesquisar, fazer arte pública, seu desejo era de pintar uma cidade, mas não sabia bem como iria fazer isso.

Inspirado pelas histórias e crenças dos moradores da região passou a pintar as paredes de algumas casa. Não entenderam logo de cara, mas com o passar do tempo, as pessoas convidavam o artista para pintar suas casas.

Depois de um ano e meio morando na cidade, foi convidado para pintar a Capela Santa Luzia após ter pintado alguns túmulos do cemitério onde ela estava localizada.

Capela Santa Luzia

Esta capela já havia sido tomada pela comunidade. Era já um local sincrético, havia  copinho de cachaça, imagens cristãs, imagens de Yemanjá a Preto Velho.

Segundo o artista, este sim era um templo, sem ninguém ditando as regras.

Então, tomou muito cuidado ao pintar a capela e achou necessário deixar de lado toda e qualquer crítica presente em sua obra através de símbolos. Foi uma pintura específica para capela, pintura neutra de críticas.

Contou que certo dia entrou na capela e haviam algumas senhoras com terços nas mãos rezando e olhando para uma das pinturas dele: “Na hora aquilo pra mim foi muito forte…..naquele momento a imagem não era mais minha, foi incorporada pela comunidade…”

Stephan contou um pouco sobre a obra abaixo, pintada no muro de uma casa localizada próxima a uma igreja:

Nesta pintura, Stephan teve como inspiração a Profecia de Daniel e as 7 dispensações. (Neste link há uma breve explanação sobre o assunto)

Ele afirmou que esta arte não foi bem aceita. As pessoas passavam e diziam “Sai coisa ruim”, outras pessoas achavam tudo “meio esquisito”. A parede depois de um tempo, ficou toda riscada, pois as pessoas passavam e atacavam pedras, ou riscavam e escreviam coisas sobre as pinturas. As crianças saiam da igreja aos domingo e repudiavam a pintura.

Pintura e Simbologia

A Estrela

A Estrela

Nesta pintura que é chamada de A Estrela, foi inspirada na carta de Tarôt de mesmo nome

Carta de Tarôt A Estrela

 
Na obra de Stephan, a mulher asceta está ajoelhada vertendo líquido por dois vasos distintos, que representam energias opostas, dualidade. Em um vaso há um coração que representa o masculino, o quente, o dia, o Yang…….enquanto que no outro vaso há uma mariposa com cabeça de foice, sendo que o o corpo dela é o cabo, representa a parte feminina, o frio, a noite, o Yin. Essas energias se misturam no rio, que representa o inconsciente coletivo. E junto a esse insconsciente se mistura o cabelo da mulher, que representa a parte física. Vale lembrar que nas religiões sempre há alguma  relação com o cabelo, seja no uso de algum corte específico, ou cabelos longos, cabelos presos, utilização de véus, enfim. Stephan se utiliza dessas referências para deixar o cabelo da mulher solto na água, simbolizando a energia liberta.
 

O Mundo

O Mundo

 
Nesta obra estão os principais símbolos que Stephan utiliza:
* Coração

O coração sagrado é um dos símbolos mais importantes do Cristianismo, sendo sempre apertado por uma coroa de espinhos, com o sangue representando a purificação. Para o Cristianismo se evolui através do sofrimento, e assim será salvo. Seja feliz depois e sofra agora.  
Stephan em sua obra tira o símbolo do sofrimento, que é a coroa de espinhos, e a substitui por um olho aberto, que representa a consciência
 
 
* Cordeiro
* Cisne Negro
* Estrelas no joelho, como alusão a tatuagens do crime organizado na Russia, que tem como significado o comprometimento de não se ajoelhar a nenhum governo, filosofia, regras….  (há um filme chamado  “Senhores do Crime” (Eastern Promises), dirigido por David Cronenberg. Trata-se de uma irmandade do crime (máfia russa), onde os membros são “vor v zakone”, ou seja, “ladrões honestos”. Na Russian Criminal Tattoo Encyclopaedia tem esta foto de uma pessoa com as estrelas nos joelhos:
 
 
 
Há símbolos pelo corpo todo da figura, os quais representam os pensamentos obsessivos que deixam marcas, e estes se relacionam com outros.
Há também a forca de 3 laços. Este símbolo está presente em algumas obras do artista e representa a igreja, o governo e as instituições financeiras. Para Stephan, o que sustenta esses três laços é a mídia e as agencias de publicidade. Elas não são benéficas a sociedade, pois alienam, dispersam e tiram o foco do que é prioridade, colocando a frente banalidades, consumismo, assuntos que não levam a nada, tais como notícias das celebridades….
 

Vídeo “Tudo é Vaidade”

Stephan criou este vídeo entre Abril e Maio deste ano, para tratar da vaidade, tema recorrente em suas obras. Neste curta, Stephan trata da brevidade da vida e da fragilidade do corpo. Inspiradas por procissões e na tradição das indulgências, as performances traziam algumas de suas obras, como oratórios, além de moedas que eram entregues ao público. Ao depositarem-nas nos oratórios, recebiam pequenos cartões com mensagens do artista. Com cinco minutos, o curta tem direção de fotografia de Rafael Levy, edição de Kauê Cabrera, numa parceria entre Movie&Art e Dinamo Filmes.

A caveira que permeia toda sua obra e não poderia deixar de aparecer neste vídeo representa a arte do bem morrer/ viver. Ele contou que monges possuíam um cranio no pé da cama para ser a primeira coisa que veriam ao acordar e a última ao dormir. Assim não se esqueceriam dessa brevidade da vida e fragilidade do corpo.

O vídeo poderá ser visto também:

Première: “Brilho do Sol” e “Tudo é Vaidade” + conversa
25 de novembro, das 19h às 21h
Auditório do MASP – Av. Paulista, 1578
Informações ao público: http://www.masp.art.br | Tel.: (11) 3251.5644
Grátis (capacidade sujeita à lotação da sala – fila de chegada) 

Instalação Novo Asceticismo II: Lei do Ventre Livre – Museu de Arte Contemporânea de San Diego 

Instalação: Lei do Ventre Livre

 
Instalação feita com 300 livros de direito criminal em geral, “transformados” em bíblia, com símbolos sacros criados  pelo artista.
Os livros foram comprados em sebos pela quantia de alguns poucos centavos, dessa forma pode se ver como a lei rapidamente se torna obsoleta.
 
Os livros, segundo o artista, representam a filosofia cristalizada.
Dessa forma, Stephan quis levar os livros de volta a sala de aula para aprender e assim, deixar a experiencia humana em destaque.
 
Para observar melhor a obra do artista, era necessário seguir pelo caminho do livros, e se ajoelhar no genuflexório. Assim, Stephan, quis que a contemplação de sua obra fosse individual e silenciosa.
 
Stephan lembrou que na história da arte, artistas pagãos relacionados a arquitetura e pintura eram convidados pela igreja para realizar trabalhos de arte. E hoje, o que Stephan faz é o oposto, é levar “templos religiosos” para dentro do campo das artes….
 

Novo Asceticismo

 
O Novo Asceticismo (NA) é a filosofia que permeia a obra do artista. Essa filosofia sugere que o homem moderno, pra conseguir seguir um caminho de auto-conhecimento e desenvolvimento da consciência, deve também procurar práticas que o auxiliem no seu caminho e o ajudem a se libertar, sem que ele tenha que se excluir da sociedade (como era comum entre os ascetas tradicionais). Tudo isso para que ele possa ser mais um membro ativo na sociedade, participando, inspirando e a influenciando.
Nos tempos remotos, os Ascetas, para buscarem a iluminação, se excluíam da sociedade indo morar no mato ou em cavernas, praticavam jejum, auto-flagelo e abstinência sexual.
 
 
Mais informações:
 
  • Livro: “Calma – The Art of Stephan Doitschinoff”

A publicação da editora alemã Gestalten, de 160 páginas, mostra o universo emblemático do artista brasileiro Stephan Doitschinoff. Textos de Tristan Manco, artista inglês autor do livro Grafitti Brasil, entre outros títulos, e Carlo McCormick, crítico, curador e editor chefe da revista americana Paper. O próprio Stephan Doitschinoff tem cinco contos sobre o seu trabalho diário em Lençóis.

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Mais um curso que com certeza irá agregar novos valores e novos olhares ao cinema abordando temas da psicanálise e cultura pós moderna.

Objetivo do curso:

O curso visa fazer uma aproximação entre duas formas diversas de abordar o sujeito humano que tiveram nascimento simultâneo: tanto o cinema quanto a psicanálise vieram à luz na virada do XIX para o XX, momento de efervescência cultural e simbólica. Novas concepções de mente se estruturam e uma outra maneira de captação e fixação da imagem se configura e passa, inclusive, a moldar a subjetividade ao longo das décadas seguintes. A reflexão se alongará no tempo, enfocando os impasses e imperativos da atualidade, nestes primórdios do século XXI, tal como o cinema nos desvela e a psicanálise problematiza.

Metodologia:

Discussões a partir de filmes e da bibliografia sugerida, norteadas por aulas expositivas,  exibição de filmes e eventuais palestras de convidados. Serão utilizadas projeções de filmes, slides, transparências.

Programa:

– A concepção freudiana da mente: a subversão do cogito cartesiano – Aparelho psíquico: entre a pulsão, o inconsciente e o recalque
– Os registros real, simbólico, imaginário e o Estádio do Espelho segundo Lacan
– O cinema e a constituição do olhar
– Modernidade e suas inflexões no contemporâneo: entre o eu e a imagem
– O sujeito imerso nos imperativos da pós-modernidade
– Cinema e subjetividade no jogo de espelhos das telas multimídia da atualidade

Período do curso: de 17/10/11 à 12/12/11 às segundas-feiras: das 14h as 17h

Investimento Total
Público externo: 3 parcelas de R$ 200,00
Comunidade faapiana: 3 parcelas de R$ 180,00

Forma de Pagamento Parcelado: Cheque pré ou cartão de crédito

O valor, não é algo que se diga “Nossa, como é barato……”

No entanto, acho que vale muito a pena……..

Inscrição pelo site

Mas se o dinheiro estiver curto mesmo, ou se o horário for inviável, tenho outra opção:

A Casa da Rosas irá promover um debate sobre psicologia e cultura

O pensamento de Carl Gustav Jung, um dos principais nomes da psicologia analítica, será explorado sob o ponto de vista cultural no dia 8, sábado, às 10h, na Casa das Rosas. A entrada é grátis.
A conversa “Reflexos do Pensamento Junguiano nas Artes e na Cultura”, ilumina ideias sobre as referências das teorias de Jung nas manifestações culturais contemporâneas.
O Simpósio é uma parceria entre a Casa das Rosas e o IJUSP – Instituto Junguiano de São Paulo.

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