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Posts Tagged ‘Jornalismo Cultural’

Certo dia, numa dessas incessantes aulas que frequento, ouvi o termo maturidade cultural, num contexto de cultura erudita X cultura popular.

Foi discutido o crescimento cultural dos indivíduos, quais os conhecimentos adquiridos por determinadas pessoas durante sua infância, adolescência até chegar na fase adulta. Conversamos sobre o perfil intelectual das pessoas e como a cultura erudita entra em contato com elas. Debatemos o porquê de as pessoas mais maduras culturalmente darem preferência as artes mais rebuscadas. Debatemos que arte popular (que não é necessariamente ruim) apela muito para o imediato e exige pouco do expectador.  E o que exige um pouco mais vai direto para prateleira do acadêmico, do chato, do pouco claro, tudo porque a idéia, o resultado não está pronto. No entanto, essa falta de paciência em prestar atenção e se concentrar também vai de encontro com a fase do crescimento das pessoas. 

Maturidade Cultural foi utilizado para designar os produtos culturais que requerem um tanto de instrução e apuro intelectual para seu mais pleno proveito cognitivo e estético. Essa maturidade pode ter sido incutida no indivíduo desde o seu nascimento até a sua morte. Pode vir involuntariamente, pois parte do meio (familia, escola, amigos) para a parte mais interna do indivíduo, ou pode vir através de escolhas que se faça durante a vida adulta: onde passear, onde estudar, quais os amigos e assuntos que eu permito se aproximar, quais os filmes que assisto, quais os livros que eu leio, e por aí vai……

Enquanto a aula acontecia e a discussão se prolongava, algumas coisas foram clareando em minha cabeça…….

Do porque de algumas pessoas preferirem alguns filmes ao invés de outros, do porque de eu ouvir determinada música com mais atenção do que antes, de me atentar a detalhes que antes passava despercebidos, de como as pessoas recebem arte, de como a arte é distribuída para o público, do que chega até aonde, ihhhh, fui longe, bem longe……….

Durante alguns dias, continuei pensando nisso, acabei juntando com trechos de uma palestra, onde o palestrante era João Gabriel – Diretor da Revista Bravo, e falava sobre Middlebrow e Jornalismo Cultural

Pesquisei alguns textos para balizar meus pensamento e alinhar as idéias. Então li sobre diferença entre baixa cultura e alta cultura, li uma entrevista de Alex Ross onde ele afirma que “o pop ajuda a entender o clássico”, li uma entrevista de Wilson Martins onde ele “vê o edifício da crítica em ruínas”, li sobre psicologia e educação, sobre desenvolvimento e aprendizagem, sobre jornalismo cultural e cheguei a algumas impressões que se seguem.

Explicando e entendendo:

high brow (alta cultura), middle brow (média cultura) e low brow (baixa cultura)

Alta cultura é o conjunto de produtos culturais, principalmente nas artes, mantidos com a mais alta estima por uma cultura. É conhecimento do mínimo e do máximo, a miscigenação entre reconhecer valores autênticos e os surreais. Acreditar que a arte está no olhar e no tato, aroma, paladar, som. Alta Cultura é uma fusão de estilos, atitudes com uma proposta multicultural e sofisticada. Em contrapartida, algumas tendências ideológicas negam o uso tradicional da expressão alta cultura por qualificarem-na de elitista, conservadora e reacionária.

Baixa cultura nesse contexto, é a cultura popular no seu sentido mais fundamental, oriunda do povo na sua forma mais autêntica.

E entre as duas, fica a cultura média, cujo principal mérito é ser um espelho de seu tempo. Por se originar nesse vácuo cultural é que a cultura média tem um aspecto descaracterizado, sem a autenticidade (etnica, regional, etc) da baixa cultura e nem a universalidade que a alta cultura desfruta.

Sendo assim, cada nível de cultura está associado a uma classe social: low brow seria a cultura proletária; middle brow, a classe média, e high brow, claro, a elite, apesar de algumas pessoas e consumidores mais criteriosos transitarem entre elas com desenvoltura.

Cada classe se identifica com o que de melhor lhe representa. Nesse sentido, pode-se afirmar que a alta cultura não passa de um meio de manter as estruturas de poder vigentes?, por isso a necessidade de mantê-la como parâmetro? Política, poder, dinheiro….está tudo relacionado com arte?

Na obra do filósofo Theodor Adorno, a massificação de produtos culturais que dispensam um nível maior de educação para sua apreensão é um movimento próprio da indústria cultural a serviço do consumismo, contribuindo para a passividade e a mediocrização intelectual, ainda que muitas vezes sob uma roupagem de multiculturalismo e sofisticação.

Muito cuidado com o Jornalismo Cultural

Sabendo dessa média cultura e entrando em jornalismo cultural, que é uma área que está me encantando, tenho algumas impressões a deixar:

Pra comecar, deve ser um desafio encontrar uma linguagem para os textos onde se possa dialogar com vários públicos: o que conhece bem o clássico e o que não sabe nada sobre ele. Para cada assunto a ser tratado, uma enorme pesquisa deverá ser feita, para dar conta do trabalho e o resultado ser efetivo….

Além disso, ser tachada colunista coringa ou intelectual midiática deve amedrontar qualquer pessoa. Assim como o sociólogo Pierre Boudieu apelidou de Fast Thinkers. Se for pra fazer, quero fazer jornalismo, mantendo em mente a sua primeira função, que é a de mediar o conhecimento e aproximá-lo do maior número de pessoas. Manter a intenção de não restringir a uma elite, a esfera das artes, da filosofia, da literatura. Há nisso um entendimento da função social do jornalismo cultural como mote adequado para dar acesso irrestrito a todo saber. Não quero escrever somente palavras prontas para os leitores repetirem com seus amigos.

Fazer Jornalismo Cultural pra mim, não é apenas dar opinião, dizer “eu gosto disso”, “eu odeio aquilo”. Esta na verdade, é a parte menos interessante para uma pessoa ler. Eu realmente não acho que o leitor se importe com a  minha opinião. O que importa e o que eu, pelo menos, quero saber ao ler alguma crítica é saber quem é a pessoa, de onde ela vem, a que tradição pertence, onde e como ela desenvolve seu trabalho. E este contexto só pode ser fornecido em um artigo mais crítico ou em post de um blog que se preste a este tipo de reflexão.

O Jornalismo cultural além de atuar como forma de democratizar o conhecimento, possui um caráter reflexivo, ou seja, o jornalismo cultural caracteriza-se por sua análise crítica. É, portanto, a reflexidade que distingue, efetivamente, o jornalismo cultural de outras editorias. Os gêneros textuais do jornalismo cultural se revezam entre a crítica, a crônica e a resenha, todos marcados pela opinião e pelo posicionamento reflexivo.

Alguns “eruditos” reagem contra essa realidade da vida intelectual. Há quem afirme que a resenha é uma forma de crítica destinada e apropriada ao público mediano, cujo interesse principal, se não o único, e o chamado conhecimento útil.

Há quem diga que na internet prolifera o crítico amador. Dizem que na maioria das vezes, a crítica que vemos surgir na web é aquela de alguém que começou a pouco tempo e que tem muitas opiniões (infundadas) sobre muitos assuntos e acredita estar fazendo jornalismo da melhor qualidade

Acredito que o jornalismo cultural deve estar aí, a mão pra todos e qualquer. O público pede por orientação. Desde a popularidade dos livros de auto-ajuda até o fanatismo das religiões, todo mundo se sente destituído de certezas e não gosta da realidade onde tudo é interessante, legal e aproveitável.

Eu já precisei e sempre procuro orientação para encontrar um livro, um filme, assistir uma peça, ler a crítica de um show. Você não?

O que penso por jornalismo cultural não é determinismo, pois ninguém vai se sentir obrigado a seguir por aqui ou por ali, conforme se determine.

Jornalismo Cultural  é uma iluminação de idéias, é trazer a tona o que está escondido, é o encontro da clareza do jornalismo com a densidade e complexidade da cultura.

“Que todos entendam e que os eruditos respeitam” (Tobias Peucer – primeiro teórico do jornalismo).

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Embora seja muitas vezes jogado a segundo plano pelos veículos de comunicação, o jornalismo cultural está entre os preferidos do público e ganha cada vez mais status entre os jovens que pretendem seguir a profissão.

Praticá-lo, no entanto, é muito mais do que emitir opiniões sobre filmes, livros, peças de teatro e novelas.

É um exercício constante de aprimoramento e busca pela informação.

Este livro descreve a trajetória do jornalismo cultural e dá orientações a quem se dispuser a produzi-lo.

Está a venda na Livraria Cultura por R$25,90

Pra quem não conhece Daniel Piza:

Nasceu em São Paulo em 1970 e estudou Direito no Largo de São Francisco (USP), começou sua carreira de jornalista em O Estado de S. Paulo (1991-92), onde foi repórter do Caderno2 e editor-assistente do Cultura. Trabalhou em seguida na Folha de S. Paulo (1992-95), como repórter e editor-assistente da Ilustrada, cobrindo especialmente as áreas de livros e artes visuais. Foi editor e colunista do caderno Fim de Semana da Gazeta Mercantil (1995-2000). Em maio de 2000, retornou ao Estado como editor-executivo e colunista cultural; desde 2004 assina também uma coluna sobre futebol. Traduziu seis títulos, de autores como Herman Melville e Henry James, e organizou seis outros, nas áreas de jornalismo cultural e literatura brasileira. Escreveu 17 livros, entre eles Jornalismo Cultural (2003), a biografia Machado de Assis – Um Gênio Brasileiro (2005), Aforismos sem Juízo (2008) e os contos de Noites Urbanas (2010). Fez também os roteiros dos documentários São Paulo – Retratos do Mundo e Um Paraíso Perdido – Amazônia de Euclides.

Leia resenha em pdf 

Leia entrevista de Daniel Piza para Unicamp

Segue um video muito interessante do Itaú cultural sobre Jornalismo Cultural

É um trecho de entrevista com Daniel Piza, Israel do Vale e Luís Antonio Giron para o Jogo de Idéias, programa de TV do Itaú Cultural com convidados da música, da literatura, do teatro, da educação, entre outras áreas.

Pra quem se interessou, haverá um curso no Senac – Scipião de Jornalismo Cultural

Os participantes terão a possibilidade de praticar e aprimorar os recursos da escrita do texto para cada uma das referidas mídias, produzindo artigos, reportagens e crônicas culturais a partir de uma noção ampla e atual do conceito de cultura. Trata-se de um curso destinado a estudantes de jornalismo, comunicação, letras; jornalistas formados ou profissionais que pretendem se especializar no segmento do jornalismo cultural para jornais, revistas e sites.

São 20h com início em 20/11 e término 10/12 – aulas aos sábados das 9h as 13h

Valor: R$ 469,00

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Sexta-feira dia 16/09/11 assisti uma palestra na FAAP, o tema foi “Por que a Cultura é Hipercompelxa?” e os palestrantes foram João Gabriel  (Diretor da Revista Bravo) e  Lucia Santaella (pesquisadora e professora da PUC SP e autora de vários livros, entre eles ‘Cultura das Mídias’)

A palestra foi ótima, abriu novas portas em minha cabeça com relação a Jornalismo Cultural.

Na palestra, falou-se sobre a cultura hipermidiática, das eras de cultura, de suas linguagens, do surgimento dos gadgets e das conexões contínuas, proporcionadas pelas mídias sociais. Santaella disse que uma ação cultural não apaga a anterior, pois nenhuma mídia é onipotente, elas sobrevivem dependendo uma da outra.

É bom pra sabermos que cinema, TV a cabo, livros, jornais e revistas impressas, tablets, vídeo on demand, celulares, games, podem conviver juntos e nenhum irá substituir o outro. Todos se completam. Mas será que há público para absorver tudo isso? Segundo o editor da Bravo!, João Gabriel, sim há. As pessoas leem Bravo! e Caras e não existe mais públicos definidos de cultura, e para esse fenômeno, ele deu o nome de Shuffle. Logo, um jornalista cultural deve falar para várias pessoas ao mesmo tempo com profundidade e clareza. É a multiplicidade da cultura onde a característica fundamental do ser humano é um ser rico e multifacetado, completou Lúcia Santaella. 

O intuito dessa aula aberta oferecida pela Faap foi mostrar para possíveis pós-graduandos o quanto as aulas do curso são valiosas e cheias de conteúdo.

Como sou limitada financeiramente, e não conseguiria sequer me matricular nesse curso, fui pesquisar sobre João Gabriel, se possui livros, textos, ou outros cursos na área de Jornalismo Cultural.

Em meio a essa pesquisa encontrei esse CursoAbril de Jornalismo, achei muito interessante e divido essa informação com vocês

É um curso muito atraente, pois além de se abrir para vários segmentos (texto, design, infografia/ ilustração, fotografia, vídeos e mídias digitais) é gratuito.

No entanto, é necessário enviar os trabalhos para participar de um processo seletivo.

E as inscrições já estão chegando ao final, somente até o dia 27/09 pelo site

Se você é estudante universitário ou recém-formado em qualquer área e tem talento para o jornalismo, inscreva-se e boa sorte !!!

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