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Posts Tagged ‘Livro’

Lugi Zoja aborda o fenômenos da adicção por um viés junguiano. Zoja considera a dependência de drogas como um resultado da tentativa de re-ritualização, de vivenciar aspectos arquetípicos da iniciação que foram reprimidos pela cultura ocidental moderna. Vai abordar essa temática observando de que forma os modernos, em diferença com os primitivos, lidam com o consumo de substâncias psicoativas. Enquanto o consumo em sociedade originais é estruturado através de ritos o consumo contemporâneo normalmente está ligado a um pseudo-rito moderno, isto é, o consumismo e sua conseqüente dependência. Essa abordagem passa, portanto, por uma tentativa de integrar um viés arquetípico, um viés psicológico e um viés sociológico.

O argumento de Zoja é que, mediante o desaparecimento de rituais institucionalizados (rituais religiosos), o homem moderno ficou sem uma vivência que media aspectos conscientes e inconscientes durante a vida, resultando num  “desenraizamento”. Como todos temos a necessidade de ritos, este aspecto da psique teria se tornado inconsciente e, quando reprimido e não elaborado, acaba se tornando sombrio.

O foco de Zoja é na dependência e não no consumo não dependente, ou que porventura seja benéfico ao usuário.

Pode comprar aqui

Vou utilizar este livro para fazer um artigo sobre o filme Trainspotting. Quando ficar pronto publico aqui no blog !!!

Segue trailer do filme de 1996, dirigido por Danny Boyle.

Este é o texto do início do filme:  “Escolha uma vida, escolha um emprego, escolha uma família, uma carreira, uma televisão bem grande, máquina de lavar, carros, cd player, abridor de lata elétrico… por que eu ia querer isso? Preferi não ter uma vida, preferi ter outra coisa! E os motivos? Não há motivos, pra quê motivos se você tem heroína?”

Eba! Terei muito o que escrever…….

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Eu tomei conhecimento deste livro mergulhando nos mares da internet e me deu uma enorme vontade de o ler….. Tanto pelo tema quanto pelo autor, que eu gosto muito……(Aeeee Caê !!!)

Mas, infelizmente, essa leitura ficará para depois, já está na minha lista dos livros que quero ler, mas tem tantos antes…….

Não irei me alongar no texto, afinal o que eu sei dele é que foi lançado em 1997, tem 528 páginas e a sinopse – que segue a seguir. E somente isso…… Não ouvi nenhum comentário, não conheço ninguém que leu…..não sei de nada, só sei que quero ler……

Verdade tropical é em parte uma autobiografia: ao mesmo tempo em que descreve sua formação musical e o desenvolvimento de seu trabalho como cantor e compositor, Caetano Veloso narra períodos decisivos de sua vida pessoal – a infância e a adolescência em Santo Amaro, por exemplo, ou o primeiro casamento, a prisão em 68 e o exílio em Londres. Seu tema é também a música popular, sobretudo o tropicalismo, e sua relação com outras manifestações musicais, como a bossa nova, a jovem guarda e os festivais da canção. Num plano mais amplo, Verdade tropical reflete sobre questões que eclodiram nas décadas de 60 e 70, como as drogas, a sexualidade, a ditadura.

Tem aqui por R$68

Pela rede tem para baixar também, é só procurar…..

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Em uma das aulas de Semiótica da Cultura, num momento específico em que falávamos sobre psicologia, minha professora Malena Contrera (que é incrível!!!), citou alguns escritores importantes dentre eles Luigi Zoja e falou de dois livros dele. Um é o “Nascer não Basta“, onde o autor analisa as motivações inconscientes que hoje levam o indivíduo a recorrer as drogas pesadas e indica que uma das principais razões disso é a ausência de processos capazes de conferir à pessoa uma real identidade existencial.  E o outro, que é o título desse post é a “História da Arrogância”

Não sei exatamente se foi a narrativa de Malena ou se uma curiosidade inata e óbvia, pois não conhecia esta personalidade, mas o fato é que me interessei por Zoja e mergulhei numa pesquisa nos mares da psicologia dele.

E agora o livro História da Arrogância já está na minha enorme lista de livros que quero ler !!!!

E pra quem não sabe quem é Zoja e do que se trata o livro, farei uma breve descrição dos mares por onde passei………

Zoja (1943) é um psicanalista e escritor italiano, mas primeiro se formou em Economia e fez uma pesquisa em Sociologia; depois disso foi que estudou no Institutito CG Jung.

Trabalhou por alguns anos em uma clínica, deu aulas no Instituto e também em Universidades de Palermo e Insubria. De 84 a 93 foi Presidente do Centro Italiano de Psicologia Analítica e de 98 a 2001 foi Presidente  da Associação Internacional de Psicologia Analítica.

A maioria de seus ensaios e livros tratam de impasses atuais tais como consumo, vícios……

Ele esteve aqui no Brasil há pouco tempo, se é que ainda não esteja por aqui………..Neste mês, já esteve na Puc – SP, visitou o Instituto Junguiano do Rio de Janeiro e deu entrevista ao Jornal do Brasil, leia a entrevista aqui

Sinopse:

Fruto de oito anos de estudos, o livro “História da arrogância” discute o tema do crescimento ilimitado da civilização ocidental, que gerou um perigoso acúmulo de culpa inconsciente e uma sociedade em que as coisas triunfam sobre as pessoas.

O tema central do livro é a hýbris (arrogância) e seu castigo inevitável. O autor desenvolve o conceito de Limite a partir da Grécia clássica: os antigos gregos acreditavam que o “pecado” da arrogância (quere ultrapassar os limites impostos pelos deuses aos homens) era duramente punido por Nêmesis, deusa da justiça.

A profunda análise dos antigos textos gregos, na primeira metade do livro, é seguida por um estudo das narrativas ocidentais sobre os castigos impostos a quem quebra o Limite: o Gênese bíblico, oInferno de Dante e O Aprendiz de feiticeiro de Goethe.

Na última parte do livro, Zoja ressalta a importância da análise psicológica para compreendermos o fenômeno do crescimento desenfreado da civilização atual até hoje discutido somente sob os pontos de vista científico e técnico.

Neste livro ricamente instrutivo e de forte sensibilidade, Luigi Zoja mostra a milenas negação dos limites e nos convida a refletir sobre os caminhos da nossa civilização neste novo milênio.

Leia prefácio escrito por Roberto Gambini

No submarino, custa R$ 35,90

 

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Tem um tumblr que acompanho através do meu Reader que é o Grifei Num Livro.

E hoje postaram um trecho do livro Poema Sujo, do Ferreira Gullar.

Divido com vocês, e indico o tumblr para uma visita poética.

 

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Semana passada terminamos (eu + equipe) de escrever um edital do Ministério da Cultura para criação de um documentário. Nosso projeto se referia às danças dramáticas em Mogi das Cruzes, mais especificamente Moçabique e Congada.
Sendo assim, a Grazie, uma das peças de nossa equipe, foi aprofundar seus conhecimentos lendo um livro de Mário de Andrade (já que ele foi uma das pessoas que mais pesquisou danças dramáticas no Brasil). Foi até a biblioteca Mário de Andrade no centro e pegou o livro “Cartas a Anita Malfatti”.
 
 
Então ao encontrar a Grazie num show dias desses, eu percebi sua empolgação ao falar do livro. Confesso que fiquei entusiasmada e estou esperando ansiosamente o livro cair em minhas mãos para eu me deleitar…….hehehe
 
Ela foi me contanto que as cartas que Mario escrevia a Anita eram incríveis, que ele contava tudo o que estava acontecendo aqui para ela, e também disse que Mário estava sempre adoentado. E sem contar que a Grazie e o Smile (marido dela) ficaram discutindo se Mário e Anita tinham um caso de amor, ou se era apenas amizade: “Claro que ele pegou…..” – “Ah, acho que não pegou não…….” – Ilário 
 
Interessante mais ainda é o fato de através dessas cartas ser possível ter acesso as intenções e aos processos de criação de Mário, como também informações sobre a história do modernismo literário e uma parte da história da cultura brasileira. 
 
Ela até me mandou um trecho por email que subscrevo a seguir:
“…desta nossa triste Paulicéia, que hoje não é mais desvairada, mas, sim, avoada, cheia de arranha-céus, de viadutos, de dois para três milhões de gente que brotaram não sei de onde. Tudo se movimenta, tudo trabalha, tudo faz barulho, a ambição se condensa por cima dos homens e das casas numa nuvem feita como cogumelo que parece bomba atômica…”
Anita Mafaltti em Carta para Mário de Andrade, 1955
Acabei de descobri uma coisa importante dessa carta:

“Quando se completaram dez anos da morte de Mário, o jornal Diário de São Paulo encomendou a Anita uma carta, que é esta”…..Ohhhhhhhhhh

Quer ler a carta na íntegra? Aqui

Bom, este livro também já faz parte da minha lista de livros que quero ler……
 
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Segunda-feira (07/11) fui assistir a uma palestra na FAAP. O título da palestra era “JORNALISMO COMO GÊNERO LITERÁRIO: UMA GRANDE HISTÓRIA”.  Com João Gabriel de Lima

A Faap promove estas palestras para divulgar os cursos da pós-graduação. É como se fosse uma aula aberta, pois tanto o tema quanto o palestrante fazem parte da grade curricular do curso.

Pouco tempo atrás assisti uma outra palestra sobre Jornalismo Cultural, os palestrante eram João Gabriel também e a Lucia Santaella. Rendeu até um texto que eu escrevi sobre Maturidade Cultural, Middlebrow e Jornalismo Cultural.

https://taemchoque.wordpress.com/2011/10/19/maturidade-cultural-middlebrow-e-jornalismo-cultural/

Pra quem não sabe, João Gabriel é o diretor da Revista Bravo…….

Palestra

Cheguei um pouco atrasada, e pelo o que eu entendi, ele começou explicando a diferença entre Jornalismo Literário e Crítica Literária…….

Eu perdi esta explicação, mas como o que tem por trás dos textos que eu escrevo é a busca por conhecimento, descobri a diferença…………..

O Jornalismo Literário é um estilo que une o texto jornalístico à literatura, com o objetivo de produzir reportagens mais profundas, amplas e detalhistas, com uma postura ética e humanizada. O Jornalismo Literário é uma mescla de Jornalismo, Literatura e História, praticado com responsabilidade e princípios morais. Ele pode ser expresso através de livros, filmes, programas de TV, artigos de jornais e revistas, meios virtuais, entre outros.

Já a crítica literárias que foi um dos primeiros tipos de crítica, é dedicada a analisar livros, romances, poemas e outras obras de Literatura. É relativa e quase pesoal e, óbvio, mais próprio das vivência de quem a escreve.

Enquanto o jornalismo literário apenas informa, os críticos devem encarar o seu papel de formador de opiniões.

Depois João citou Tom Wolfe e falou também de seus livros.

Tom Wolfe, expoente do novo jornalismo, é considerado um crítico dos bons. Com textos ágeis, ácidos e em linguagem informal, ficou célebre, entre outros, com livros e artigos que criticavam o deslumbramento com os delírios da arte contemporânea. Em um dos trechos, diz: “A arte se tornou inteiramente literária: as pinturas e as outras obras só existem para ilustrar o texto”.

E então passou a nos dizer sobre como surgiu o Jornalismo Literário e para isso nos contou um pouco sobre a Revista Vanity Fair, criada em 1915

Vanity Fair (Feira de Variedades, em inglês) é uma revista americana sobre cultura pop, moda e política.

Esta revista fazia jornalismo escrito por escritores.

Então passou a falar da revista The New Yorker, para mais tarde voltar a nos contar sobre a Vanity Fair.

A The New Yorker estreou em 21 de fevereiro, 1925. Foi fundada por Harold Ross, que desejava criar uma sofisticada revista de humor.

Esta revista é a principal referência de Jornalismo Literário, além de ter feito surgir o New Jornalism:

 New Journalism é um gênero jornalístico surgido na imprensa dos Estados Unidos, na década de 60, que tem como principais expoentes Tom Wolfe, Gay Talese, Norman Mailer e Truman Capote. Classificado como romance de não-ficção, sua principal característica é misturar a narrativa jornalística com a literária. Uma das publicações que popularizaram o novo estilo foi a revista The New Yorker. Em 1956, o escritor americano Truman Capote publicou o perfil do ator Marlon Brando, intitulado “O duque em seus domínios”, que é citado como o primeiro texto do gênero.

Talese define dessa forma o New Journalism: “O novo Jornalismo, embora possa ser lido como ficção, não é ficção. É, ou deveria ser, tão verídico, como a mais exata das reportagens, buscando embora uma verdade mais ampla que a possível através da mera compilação de fatos comprováveis, o uso de citações, a adesão ao rígido estilo mais antigo. O novo jornalismo permite, na verdade exige, uma abordagem mais imaginativa da reportagem e consente que o escritor se intrometa na narrativa se o desejar, conforme acontece com freqüência, ou que assuma o papel de observador imparcial, como fazem outros, eu inclusive.”

Sobre Harold Ross, nos contou que era obcecado por clareza nos textos e por descrições de todo tipo. Ele editou a cada edição da revista desde a primeira (21/02/1925) até à sua morte (06/12/1951).

Para saber mais sobre , há uma biografia dele escrita por James Thurber – trabalhou na revista The New Yorker e teve grande contato com Ross.

The Years With Ross - James Thurber

A revista The New Yorker sempre foi uma revista com alta qualidade literária e mantém o mesmo padrão desde sempre:

* Seção “Talk of the Town”, que oferece interessantes comentários sobre a vida da cidade, cultura popular, e o humor inteligente e perspicaz de suas curtas histórias de humor e suas famosas charges

Texto de ficção

* Ilustração com cartoos

* Reportagens grandes

E então João Gabriel nos contou uma história de um escritor indiano que enviou seus textos para algumas revistas, inclusive para The New Yorker. No entanto, não tinha esperança que Ross ou qualquer funcionário da revista lhe respondesse.

Pois respondeu. Ross encontrou algo no texto e fez a seguinte proposta: “Precisamos fazer algumas modificações no seu texto. Você aceita? Se depois das alterações o seu texto ficar bom, eu publico na revista e te pago. Se não ficar do meu agrado, eu sei quem vai querer publicar e te pagar”. Este escritor, claro que aceitou e Ross começou com as alterações que achava necessário. Depois de muitas idas e vindas do texto, Ross decide publicar na revista. Então, o escritor diz que seria mais verdadeiro se Ross assinasse o texto, afinal depois de tantas alterações o texto não pertencia mais a ele. E Ross lhe respondeu com frase muito interessante: “Eu só te ajudei a deixar o texto mais seu !!!”

Essa história serviu para ilustrar o quanto Ross era cuidadoso com o que iria entrar ou não na revista. Ross era o mecânico dos textos e não o engenheiro, pois ele encontrava com facilidade os problemas do texto

Para Ross, havia 3 pontos chaves para que o texto tivesse qualidade:

1 – Clareza

Os textos literários devem ser extremamente claros. O escritor/ jornalista deve escrever de uma forma que não chame o leitor de burro. Todas as informações devem estar presentes no texto de forma que não pareça que esteja ensinando o leitor

2 – Autoria

Os textos devem estar claros, mas nunca no nível da padronização. Deve-se manter o estilo de quem escreve.

3 – Descrição

Para Ross as descrições devem ser muito boas. Elas são fundamentais.

Uma palavra que Ross não aceitava era a palavra INDESCRITÍVEL.

Primeira grande Reportagem = Marco do Jornalismo Literário

Logo após o fim da Segunda Guerra Mundial, o ensaio de John Hersey sobre Hiroshima utilizou uma edição inteira.

A pauta era: “Bomba caiu em pessoas como os americanos”.

Era necessário fazer uma matéria afinal, a guerra havia acabado após os bombardeamento de Hiroshima e Nagazaki. Era necessário dar essa notícia na revista.

Então Hersey foi até o Japão para fazer a matéria. A idéia era descrever a vida dos moradores durante e após o bombardeio.

A reportagem possuia um caráter de romance, pois descrevia a vida dos “personagens”.  Hersey se utilizou de técnicas de ficção para escrever a reportagem

Hersey escrevia e Ross editava, e assim foi durante cerca de um ano.

Para Ross, não importava dar a notícia em cima do fato acontecido e sim dar a notícia de um modo criativo, contemporâneo.

Quando bateram o martelo e concluíram a reportagem, surgiu um problema: a reportagem estava muuuuito grande. O que fazer?

Havia duas opções: dividir a reportagem em 4 revistas seguidas; ou lançar a reportagem toda de uma só vez, fazendo assim, uma edição especial da revista.

Ross ficou com a primeira opção, porém Willian Shaw (2° editor da revista) convenceu Ross de que seria melhor lançar uma edição especial.

E assim foi feito !!!

Resultado: Um trabalho notável, uma história para o The New Yorker sobre os efeitos da bomba atômica derrubados em Hiroshima no dia 6 de agosto de 1945. O artigo contou a história de seis vítimas do bombardeio que transformou-se depois em um livro. Foi lançado aqui no Brasil pela Companhia das Letras.

Sinopse:

A bomba atômica matou 100 mil pessoas na cidade japonesa de Hiroshima, em agosto de 1945. Naquele dia, depois de um clarão silencioso, uma torre de poeira e fragmentos de fissão se ergueu no céu de Hiroshima, deixando cair gotas imensas – do tamanho de bolas de gude – da pavorosa mistura.
Um ano depois, a reportagem de John Hersey reconstituía o dia da explosão a partir do depoimento de seis sobreviventes. O texto tomava a edição inteira da revista The New Yorker, uma das mais importantes publicações semanais dos Estados Unidos. O trabalho do repórter alcançou uma repercussão extraordinária.
Sua investigação aliava o rigor da informação jornalística à qualidade de um texto literário. Nascia ali um gênero de jornalismo que estabelecia novos parâmetros para a maneira de relatar os fatos. A narrativa de Hersey dava rosto à catástrofe da bomba: o horror tinha nome, idade e sexo. Ao optar por um texto simples, sem enfatizar emoções, o autor deixou fluir o relato oral de quem realmente viveu a história.
Quarenta anos mais tarde, Hersey voltou a Hiroshima e escreveu o último capítulo da história dos hibakushas – as pessoas atingidas pelos efeitos da bomba. Hiroshima permitiu que o mundo avaliasse o inacreditável poder destrutivo das armas nucleares e a terrível implicação do seu uso.

Lillian Ross e William Shawn

Para falar sobre a segunda grande obra do Jornalismo Literário, João Gabriel nos contou sobre Lillian Ross e como consequencia seu caso de amor com William Shawn.

Lillian Ross era jonalista e começou a escrever para a revista The New Yorker em1945. Durante muito tempo, contribuiu para a famosa seção “Talk of the Town”. Em sua escrita, ela faz o narrador tão invisível quanto ela pode.

Ela e William Shawn (editor da The New Yorker de 1952 a 1987, depois que Ross faleceu em 1951) se apaixonaram, porém ele era casado. Então ela se mudou para Hollywood para ficassem distantes.

Lillian Ross conta essa e outras histórias em seu livro de memórias “Here But Not Here: My Life with William Shawn and The New Yorker”

Neste livro de memórias fascinante, Lillian Ross conta a notável história de vida apaixonada compartilhada por 40 anos com William Shawn, editor da revista The New Yorker. Shawn era casado, mas Ross e Shawn criaram uma casa juntos, adotaram uma criança, e viveram com discrição. Suas vidas foram entrelaçadas a partir da década de 1950 até a morte de Shawn em 1992. Ross descreve como eles se conheceram e a conexão intensa entre eles, como Shawn trabalhou com os melhores escritores do período; como, para escapar de sua ligação, Ross se mudou para Hollywood, para depois voltar para Nova York e viverem o relacionamento.

Ved Mehta também escreveu um livro sobre a revista “The New Yorker” durante o mandato do editor-chefe William Shawn: Remembering Mr. Shawn’s New Yorker – The Invisible Art of Editing”

Ved Mehta Parkash, escritor,  nasceu em Lahore, Índia Britânica em uma família hindu. Ele perdeu a visão aos quatro anos de idade, como resultado de um ataque de meningite cerebrospinal. Escreveu mais de 24 livros, incluindo vários que lidam com o tema da cegueira, bem como centenas de artigos e contos, para publicações britânicas, indianas e americanas, como “The New Yorker”, onde foi um escritor de 1961 à 1994.

O livro de Mehta revisita a carreira de William Shawn, que editou “The New Yorker” de 1951-1987. Shawn mudou a enfase da revista da sátira, de seu predecessor Harold Ross, para as reportagens sérias e profundas, sem perder a elegância e integridade que fizeram a fama da revista. Nesta crônica, Mehta constrói uma poderosa ode à “invisível arte” do seu antigo chefe.

Segunda grande obra do Jornalismo Literário: “Picture” de Lillian Ross

Então nessa viagem forçada para Hollywood, ao saber que o diretor John Huston preparava a adaptação para o cinema do romance clássico da literatura norte-americana O emblema rubro da coragem, de Stephen Crane, Lillian Ross, decidiu acompanhar todas as fases da realização do filme. Ross na tentativa de descobrir como realmente funcionava a indústria cinematográfica, seguiu, durante quase dois anos, os passos da equipe de A glória de um covarde (título brasileiro da obra de Huston), desde a confecção do roteiro até o lançamento em Nova York. O resultado deste trabalho está em Picture, título original do livro, que resume em uma única palavra múltiplos significados (quadro, retrato, imagem, descrição, filme). Este filme pode-se dizer que saiu tudo diferente do combinado, para não dizer que deu tudo errado. E por isso mesmo o livro de Lillian ficou recheado de drama sem jamais emitir uma opinião, assim deixa que os fatos e as falas sejam eloqüentes por si mesmos.

Uma característica do jornalismo literário é a de mergulhar na matéria com o objetivo de extrair conhecimento. É uma investigação que permite extrair conhecimento para quem realiza e para quem as lê.

Foi lançado aqui no Brasil pela Companhia das Letras

Leia um trecho

Outros livros interessantes sobre jornalismo literário:

“A Sangue Frio” de Truman Capote

“A Sangue Frio” (In Cold Blood, no original) é um livro escrito por Truman Capote, publicado em 1966. Relata o brutal assassinato de uma família na cidade de Holcomb, localizada no no interior do estado do Kansas, nos Estados Unidos da América, da idéia inicial do crime até a execução dos assassinos. É um “romance não-ficcional”, considerado por alguns a primeira obra do New Journalism.

Truman Capote chegou a Holcomb um mês após o crime. Ele entrevistou familiares das vítimas e dos assassinos, recolheu documentos oficiais, leu cartas e diários, observou, assistiu ao enforcamento dos criminosos. 

No filme “Capote” (2005), com Philip Seymour Hoffman (Vencedor do Oscar de melhor ator pela interpretação de Truman Capote), o foca principal é o período em que Truman Capote fez reportagens para o livro “A Sangue Frio”. Nesse período, o escritor desenvolveu uma estreita relação com Perry Smith (Clifton Collins Jr.), um dos assassinos.

A Companhia das Letras lançou o livro:

Segundo João Gabriel: 

  • Um livro com linguagem extremamente clara
  • Objetivo: busca de conhecimento
  • Entender o que leva alguém a fazer isso (idéia e execução do assassinato)
  • Observações/mergulho na realidade

 

“Vida de Escritor” de Gay Talese

 
Gay Talese foi repórter do New York Times e escreveu para grandes revistas americanas, como Times, The New Yorker e Harper´s Magazine. Na Esquire, foi autor da melhor matéria já publicada pela revista: Frank Sinatra Has a Cold, considerada por Tom Wolfe como a criação do New Journalism,  caracterizado por um trabalho de apuração de fatos rigorosa aliado a uma forma de narrativa anteriormente reservada a ficção. Escreveu perfis que entraram para a história do jornalismo, além do perfil de Frank Sinatra, escreveu sobre o jogador de baseball Joe DiMaggio e os boxeadores Floyd Patterson e Joe Louis.
 
Em 2009 Talese foi o convidado de honra da Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP)  e esteve no programa Roda Viva da Rede Cultura.
Vale a pena assistir os melhores momentos da entrevista no Roda Viva aqui
 
 
O livro nada mais é do que a narração – franca, bem-humorada – de seus fracassos como escritor e jornalista. Pautas e idéias que nunca puderam ser desenvolvidas e publicadas, por vários motivos, encontraram lugar nessa autobiografia.
 
Gay Talese era fascinado por perdedores e fracassos. Há um pefil que escreveu para a revista Esquire onde Talese faz um retrato de Floyd Patterson depois de sua segunda derrota esmagadora para Sonny Liston.A luta:

Em uma época em que os negros ainda eram excluídos da sociedade americana,a disputa de título entre Liston e Patterson envolveu até o presidente da época John Kennedy. Ex-presidiário, Liston era apontado como o maior talento bruto da história do boxe, mas por conta de seu passado era visto pela sociedade preconceituosa como o “negro ruim”, “incontrolável”. Campeão, Floyd tinha a imagem no “negro bom”, católico e “inofensivo” para a sociedade branca. Depois de muita resistência, Patterson aceitou colocar o cinturão com a ajuda de um pedido de Kennedy. Vetada em Nova York por conta do passado de Liston, a luta foi parar em Chicago e não passou do primeiro round. Derrotado, Patterson pediu a revanche e um ano mais tarde também foi demolido em um round.

Aqui pode-se assistir as lutas
 
No livro: “The Silent Season of a Hero”, estão reunidos os textos de Talese acerca de assuntos esportivos.
 
 
 

Vanity Fair

Pra finalizar a palestra, João Gabriel falou da importância da revista Vanity Fair, dos seus textos densos, maravilhosos e elaborados, das fotos bem feitas.
E citou o perfil de Margaret Thatcher
 

Na internet:

Texto bem interessante sobre edições de textos, onde os editores mexem e, muitas vezes, salvam os textos dos autores.

 “Ler esses autores farão você se destacar e se diferenciar de tantos que já escrevem” (João Gabriel de Lima)

Pós Graduação Faap – Jornalismo como Genêro Literário

Campus São Paulo – Sede

Rua Alagoas, 903

11-3662-7449

pos.atendimento@faap.br

Data de início: Mar/ Abr 2012

Data de término: Dez/ Jan 2014

Manual do Candidato

 

 

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Gilles Lipovetsky e Jean Serroy, em A cultura-mundo: resposta a uma sociedade desorientada, expõem os benefícios e os efeitos colaterais da cultura de consumo no mundo atual, do crescente uso da tecnologia nas relações interpessoais, das experiências imediatistas que o novo consumidor cultural requisita.

Dentro do quesito arte, Lipovetsy-Serroy destacam o crescimento de um novo mercado, o de “museus-espetáculos”. Os tradicionais e solenes museus cedem espaço para experiências visuais, imediatas e futurísticas. A arquitetura majestosa dá lugar às estruturas espetaculares. O mundo da arte faz parte do mercado.

A cultura passa a ser “um setor econômico em plena expansão”, com excesso de oferta de bens mercantis e simbólicos que vão dos livros à moda, das inovações tecnológicas ao design, da música à gastronomia.

A construção dos novos “museus-espetáculos”, que viram destinos turísticos, e que tem como palavra de ordem recreação em lugar de recolhimento, é reflexo disso. O lado bom é que os artistas não precisam mais morrer para ganhar dinheiro. Viram celebridades ricas ainda em vida. Sai de cena a “glória imortal” e entra em cena a busca pela “celebridade midiática”.

Consome-se muito, e de tudo hoje. E ao mesmo tempo em que esse consumo proporciona no indivíduo a sensação de bem-estar material e físico, e que oferece uma  verdadeira overdose de informação, ele provoca no consumidor moderno incertezas e inseguranças em relação a sua identidade.

Nesse mundo de hoje, moderno, com tantas opções para consumo, a sensação é de autonomia, de livre escolha. Por outro lado, é a era da dependência e da indecisão. Isso sem mencionar as relações sociais e afetivas virtuais, muitas das vezes frágeis, superficiais e frustrantes, que acentuam o sentimento de solidão e de individualidade. São milhares de pessoas conectadas umas às outras mundo afora e, ao mesmo tempo, são milhares de pessoas com a sensação de isolamento.

É muito pouco provável que alguém consiga ser totalmente imparcial ao ler um texto como esse. A cultura-mundo traz um debate atual e imprescindível para a reflexão sobre os fenômenos culturais que estão surgindo e crescendo.  

A Companhia das Letras disponibilizou 11 páginas do livro.  Leia aqui

E saiba mais detalhes aqui no site

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