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Posts Tagged ‘Nascer Não Basta’

Terminei hoje um artigo onde faço uma relação entre o filme Trainspotting de Danny Boyle e as idéias de ritualização e sacralização de Luigi Zoja descritas em seu livro Nascer Não Basta.

Eu gostei muito do resultado, e mais do que isso, alargou minhas percepções quanto ao uso de drogas enquanto me fez refletir sobre outras formas de ritualização sacra.

Segue a introdução do artigo e caso queiram fazer a leitura na íntegra, baixe o arquivo aqui.

Mark Rent

Trainspotting é um livro escrito por Irvine Welsh publicado em 1993, que também virou filme em 1996 e foi dirigido por Danny Boyle. O título do livro/filme se refere a uma gíria escocesa que remete a algo sem sentido, algo que é aparentemente uma perda de tempo. É uma metáfora para a alienação psicológica e o descontentamento sentido pelos personagens.

O filme focaliza um dos problemas mais sérios da sociedade escocesa que é o consumo de drogas e retrata o cotidiano de personagens que habitam o lado pobre de Edimburgo. Esses personagens, no entanto parecem querer se livrar do tédio da vida, fugir de uma realidade, escolhendo ou arrastados, em uma busca inconsciente por uma ritualização/ sacralização, porém, uma das grandes diferenças entre o mundo primitivo e o mundo moderno está justamente no desaparecimento de rituais de iniciação.

Segundo Zoja, são as religiões que, através das suas doutrinas (regras), abrem as portas para um universo oculto que está além das palavras, dos sentidos, da realidade sensível. Em todas elas encontram-se rituais de passagem ou de iniciação para orientar o desenvolvimento. São rituais de iniciação, o batismo, a confirmação, o casamento, os rituais da puberdade.

Esses rituais regem e favorecem as transformações psíquicas que acompanham o desenvolvimento humano. Sem eles, essas passagens tornam-se problemáticas, podendo resultar num grande prejuízo para a vida. Pode-se dizer que esses rituais regulam as transformações energéticas individuais e coletivas.

É através deste tema que analisarei o filme, fazendo uma relação entre o ato de consumir drogas com uma forma inconsciente de buscar a transcendência (transformação psíquica através de um ritual).

Aqui é possível assistir o filme completo….

 

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Lugi Zoja aborda o fenômenos da adicção por um viés junguiano. Zoja considera a dependência de drogas como um resultado da tentativa de re-ritualização, de vivenciar aspectos arquetípicos da iniciação que foram reprimidos pela cultura ocidental moderna. Vai abordar essa temática observando de que forma os modernos, em diferença com os primitivos, lidam com o consumo de substâncias psicoativas. Enquanto o consumo em sociedade originais é estruturado através de ritos o consumo contemporâneo normalmente está ligado a um pseudo-rito moderno, isto é, o consumismo e sua conseqüente dependência. Essa abordagem passa, portanto, por uma tentativa de integrar um viés arquetípico, um viés psicológico e um viés sociológico.

O argumento de Zoja é que, mediante o desaparecimento de rituais institucionalizados (rituais religiosos), o homem moderno ficou sem uma vivência que media aspectos conscientes e inconscientes durante a vida, resultando num  “desenraizamento”. Como todos temos a necessidade de ritos, este aspecto da psique teria se tornado inconsciente e, quando reprimido e não elaborado, acaba se tornando sombrio.

O foco de Zoja é na dependência e não no consumo não dependente, ou que porventura seja benéfico ao usuário.

Pode comprar aqui

Vou utilizar este livro para fazer um artigo sobre o filme Trainspotting. Quando ficar pronto publico aqui no blog !!!

Segue trailer do filme de 1996, dirigido por Danny Boyle.

Este é o texto do início do filme:  “Escolha uma vida, escolha um emprego, escolha uma família, uma carreira, uma televisão bem grande, máquina de lavar, carros, cd player, abridor de lata elétrico… por que eu ia querer isso? Preferi não ter uma vida, preferi ter outra coisa! E os motivos? Não há motivos, pra quê motivos se você tem heroína?”

Eba! Terei muito o que escrever…….

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