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Posts Tagged ‘Tropicália’

Este final de semana, estava assistindo no Canal Brasil, um programa muito interessante chamado “O Som do Vinil”.

O Som do Vinil é um programa musical brasileiro produzido pelo Canal Brasil e pela Bravo Produções, é apresentado pelo músico Charles Gavin, e enfoca LPs marcantes da discografia brasileira. Com duração de 30 minutos, o apresentador entrevista, quando possível, o autor, seus familiares e pessoas da produção para revelar detalhes técnicos e de bastidores da obra.

E o assunto do programa era o LP chamado  Tropicalia ou Panis et circencis, o qual tornou-se símbolo não só do movimento tropicalista como também da vertiginosa movimentação cultural que tomou conta do Brasil no final nos anos 1960.

Eu assisti a primera parte, a segunda parte vai ao ar dia 28/10 ás 21h30 e reapresentado no sábado 29/10 ás 13h30.

Foi muito interessante o programa, e não teria como não ser,  afinal a Tropicália, Tropicalismo ou Movimento Tropicalista foi (em linhas gerais) um movimento cultural brasileiro de ruptura que sacudiu o ambiente da música popular e da cultura brasileira entre 1967 e 1968.

Segue um texto de Arnaldo Antunes sobre a Tropicália:

A Tropicália mudou definitivamente nossa sensibilidade e mentalidade estética, política e comportamental, derrubando “as prateleiras, as estantes, as vidraças” entre o urbano e o rural, o interior e o litoral, o bom e o mau gosto, o popular e a vanguarda, o chiclete e a banana, o chique e o kitsch, o berimbau e a guitarra, o bangue-bangue e o tamborim, as raízes e as antenas, o luxo e o lixo (como no emblemático poema de Augusto de Campos, com todas as variantes positivas e negativas que podem sugerir as duas palavras, e os atritos entre elas).

Com uma lúcida compreensão da múltipla realidade brasileira, deu expressão às diversas vozes que a compõem, sem descaracterizá-las ou satirizá-las, sem esconder seus contrastes ou hierarquizá-las, mas criando condições para que elas aflorassem numa linguagem vigorosa, através de procedimentos (a colagem, a mistura, as fusões rítmicas e vocabulares, o construtivismo formal e a surpreendente espontaneidade) que as punham em situações inéditas de conexão ou confronto.

Batman e macumba, iê-iê e obá, viraram um amálgama sonoro-semântico (ou verbivocovisual, na expressão dos concretos), que rompia as fronteiras de preconceitos muito arraigados, inaugurando a possibilidade da convivência, sem traumas, de valores até então inconciliáveis.

A partir desse limite (ápice) não havia mais volta. A cultura plural, cosmopolita e libertária se instituiu como uma realidade palpável, abrindo caminho para novas experiências poético-musicais, que se desdobraram em várias outras linguagens.

É sintomático o fato do eixo dessa revolução ter se dado no terreno da música popular, integrando alta voltagem de invenção com a comunicação de massas (em conexão com a moda, o design, as histórias em quadrinhos, a televisão, o rádio, o cinema e a cultura pop de uma maneira geral), em lugar da literatura e das artes plásticas, em torno das quais se articularam outros marcos de nossa modernidade, como a Semana de 22 e a Exposição Nacional de Arte Concreta, de 56.

A Tropicália moldou e modulou uma síntese ácida e doce (“policiais vigiando/o sol batendo nas frutas/sangrando”, “hospitaleira amizade/brutalidade jardim”, “bomba e Brigitte Bardot”) da cultura brasileira, expondo suas nervuras e contradições mais profundas, e libertando-nos para assumi-las como uma possível identidade. O convívio com as diferenças e a exploração criativa de suas férteis colisões expôs um retrato vivo do Brasil daquele tempo, e dos Brasis de todos os tempos.

Este livro é uma reflexão sobre o disco-manifesto Tropicália, mas também um reflexo do que ele semeou. As diferentes abordagens, estilos, pontos de vista e criações gráficas a partir de suas doze canções, ilustram, em seu mosaico diversificado, o quanto aquelas conquistas encarnaram em nossa realidade cultural o espírito de invenção, de mistura, de afirmação vital das nossas potencialidades.

O Panis et circencis era só o começo.

Arnaldo Antunes

Então, pensando nesse programa, logo veio a dica de livro para hoje:

Tropicália de Ana de Oliveira

O livro, idealizado e organizado pela pesquisadora Ana de Oliveira, é composto por doze ensaios inéditos, de autores diferentes, um ensaio para cada uma das doze canções que compõem o LP. Textos que misturam memória, análise, encantamento, documentação, teoria, prática, filosofia, poesia, pão e circo, formando um livro único no Brasil, dedicado especialmente a um único disco.

Acesse o site, é bem interessante. Dá pra ficar um tempão lendo e entendendo o tropicalismo e pensando: “caramba, queria ter feito parte disso!!!”

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GABI!

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Este é um album que adoro, ouço sempre, principalemte a musica “2001”.

O disco foi gravado às pressas por Gilberto Gil antes de partir para o exílio em 1969 (que durou até 1972), e é cheio de músicas compostas enquanto esteve preso, antes de ser exilado, como “Cérebro Eletrônico” e “Futurível’.

Gilberto Gil e Caetano Veloso no exílio em Londres, 1969

É um belo álbum cheio de músicas maravilhosas com uma boa dose de psicodelia brasileira de Gilberto Gil.
Os músicos colaboradores do álbum são: arranjos e direção musical de Rogério Duprat, violão de Gil, guitarra elétrica de Lanny, baixo de Sergio Barroso, bateria de Wilson das Neves e no piano Chiquinho de Moraes.

O disco vem com bônus da versão integral de “Aguele Abraço” no qual Gil canta por mais de 1 minuto e meio a mais do que na versão lançada comercialmente.

Na seqüência tem 2 demos acústicas de “Com Medo, Com Pedro” e “Cultura e Civilização” gravadas de um jeito descontraído e espontâneo e que depois foram gravadas por Gal Costa.

E fechando essa maravilha tem “Queremos Guerra”, de Jorge Ben, que Gil gravou com o autor no violão e Caetano Veloso no coro.

Aproveitem pois, na minha opinião, é imperdível!!!!

 

01. Cérebro Eletrônico
02. Volks-Volkswagem-Blue
03. Aquele Abraço
04. 17 léguas e meia
05. A voz do vivo
06. Vitrines
07. 2001
08. Futurível
09. Objeto semi-identificado
Bonus Track
10. Omão Laô
11. Aquele Abraço (versão integral)
12. Com medo, com Pedro (demo)
13. Cultura e Civilização (demo)
14. Queremos Guerra (com Jorge Ben e Caetano Veloso)

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Trecho de “Cérebro Eletrônico”

“Eu penso e posso
Eu posso decidir
Se vivo ou morro por que
Porque sou vivo
Vivo pra cachorro e sei
Que cérebro eletrônico nenhum me dá socorro
No meu caminho inevitável para a morte
Porque sou vivo
Sou muito vivo e sei”

Trecho de “Futurível”

“Seu corpo será mais brilhante
A mente, mais inteligente
Tudo em superdimensão
O mutante é mais feliz
Feliz porque
Na nova mutação
A felicidade é feita de metal”

Se quiserem saber mais sobre o exílio e a tropícália, aqui está um bom lugar para acessar.

 

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